terça-feira, dezembro 30, 2008

Não é para você, nem para você.

As milhares de luzes retorcidas no rio de algum modo deixaram seus olhos mais claros a medida que ias mentindo. Enquanto isso minha perna direita que tende a tremer se retém quieta, e os corpos se aproximam...
Confundindo-te com minhas palavras já impressas, doei a você minha noite que sempre foi de fuga, sem conseguir me refugiar em teus braços tão impuros quanto a água que emerge desse rio.
Sigo contigo pela estrada de desvios sendo livre, cada vez mais comprometida com o que me faz sentir toda essa coisa (essa que você não consegue mais fazer).
Não me abalas se fores embora, não me embriagas mais, não tem sentido algum nosso andar compassado, desculpe.
O céu fica roxo escuro e lembro do que é belo de verdade, sinto que estou ganhando tempo quando a hora começa a passar rápida, é contagem regressiva, é sol nascendo. Mas não se preocupe tanto, talvez ainda voltaremos a pisar na sujeira que hoje deixamos para trás.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Now, let the history repeat.

A música tocada sobre a invasão procedeu. Seus lábios secos se transformaram e a sede sumiu. Sentada em um sofá qualquer, fechando apertado os olhos, conto até dez antes de aceitar. E posso sentir o calor em volta, pois a chuva fria vem de dentro para fora.
Bom, lentamente os lábios chegaram e o sorriso veio recatado, será? Penso nela confrontado-se com a escuridão que estava acostumada por um tempo, esfregando os olhos sonolenta, ela sempre perde desse jeito para a noite?
Minha música lenta e desbotada voltou a vida. Também o temor de coisas não cumpridas, algumas idéias que as pessoas nunca cumprem por serem pessoais demais. Não temos caminhado tendo em vista o mesmo sentido, tão pouco pensou-se mutuamente em coisas que eram certas pra mim. Mas a voz continua ecoando nos meus ouvidos, e a imagem dela é algo complicado, algo com que não sei lidar. Apesar de reparar declives em seus olhos por miragens e ilusões. Muitos desses pensamentos estão presos tão dentro de mim, que poucos verão verdadeiramente a luz do dia, mesmo que lidos e interpretados.
É estranho como passamos a frente das coisas, mesmo antes que elas aconteçam. Quando qualquer compromisso é um fracasso tão leal, tentamos qualquer tipo de frase clichê para amenizar o que sabíamos que ia acontecer, "é para o nosso próprio bem".
Lançada através das páginas do meu dia, você viveu em mim em momentos que eu achei que nunca conseguiria terminar o capítulo, e em outros que pensei que nem o começaria. Por fim não estás realmente escrita, não tem seu nome em nada, meu bem. Mas para os que não são leigos de mim em cada piscar de olhos meu, vêem um vazio distante desde que te conheci.
[There's a sunbeam that dwells on earth by my side]

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Orquídeas.

Me encara, é cara. Reflete, enfatiza. Em sete segundos se modifica.
Existem mais de 30.000 espécies de orquídeas no mundo, e mais de 50.000l jeitos de descrever um desligar de telefone. Não escrevo esse tipo de coisa, não quero informação barata, quero me desajustar confundindo-me para fluir.
Quero escrever sobre uma flor, tenho que entender o desenvolvimento dessa flor. Em minha própria adaptação disso, busco uma ligação a ela, já que ficou presa ao meu corpo em algum momento da história, ou dessa história.
É sobre flores. Digo em voz alta. É loucura sobre adaptação, sobre evolução, desejo por sede...
Apaixonar-se por uma coisa intensamente, diminui o mundo de maneira que ele se torna mais controlável. Me asfixia seguir seus passos, flor.
Perco o foco, é sóbre flores. Apaixonar-se não é importante agora, é mero fato de distração mundial... Mas pensando bem por vezes elas também são intoxicantes, as flores. Estar perto de algo tão vivo me deixa sem jeito. Fantástica, fugaz, e fora do alcance das minhas palavras. Já é sobre você.
As pessoas vivem cobrando a atitude certa, a palavra no segundo que deve ser dita, coerência... Essas coisas que são ditas automáticas por quem diz ter bom senso. Bom senso...
Uma mudança, que causaria perca momentânea do bom senso não é propriamente uma escolha, nem para uma planta nem para mim. A única diferença talvez, seja que menti sobre a minha, escondo-me dentro da pele, enquanto ela murcha. Porém ela não tem medo da casa vazia e do vento que faz imaginar um toque.
É sobre flores, é sobre as benditas orquídeas, é sobre a minha única inspiração soprada antes de aceitar o arrependimento, é sobre você, é informação barata sobre mim.

quinta-feira, novembro 27, 2008

De perto.

Tenho febre quando penso nos escombros do que ainda - por algum daqueles motivos que ninguém se prontifica a explicar -, está de pé.
A sua presença nos meus ossos e meu dia cansativo me fazem ver que eu não posso mais, eu não consigo mais. Porque existem lares que se vão, como peças de brinquedo da criança que sem entender chora por ver todos chorarem... E a minha lucidez parte refletida nas lágrimas de quem pede por um alento.
Vejo as coisas saírem da órbita do que está ao nosso alcance e se tornarem força tão grande que assusta. E assusta sem idade certa, assusta sem ver documento, faz o que temos de mais humano pulsar em todas as veias.
Enchergo os olhos de raiva de quem foi destruído por dentro, reconheço detalhes das ações de quem não sabe o que vai ser de amanhã, toco o sangue do que nunca vai se curar por inteiro... Fico assim, meio sem jeito de falar, me sentindo inútil, sem saber onde é o ponto que termina.

domingo, novembro 23, 2008

Os malditos espaços.

Quando nada alegrava nem dava alento, a mão ávida do espaço em branco tocou fundo no que sempre esteve escondido em mim.
Nesses dias a espessa asa se tornou lâmina que dilacera a face. Então trago a voz rouca que o minuto virou desespero de dias.
Repenso os vastos espaços vazios que percorrem os suspiros diários que desencantam as pessoas ao meu redor, vejo que o que é certo veio em hora imprópria. Por vezes faz doer, por vezes de felicidade inunda meus olhos secos.
Nesse desconforto descomunal das dúvidas que nos fazem tropeçar em cada frase, eu me percebo amedrontada e inquieta a espera das minhas próximas linhas. E o modo que te elevo, me faz andar na ponta dos pés para não impedir que fiques onde estás se eu, sem jeito, tornar a cair.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Here's a simple dissertation on a complex situation: Two bodies.

Violated.
Traumatized.
There's no lies if you don't ask questions.
All damn day, every day, two bodies.
Trying to be brave, cause when they're brave other bodies feel brave.
So some people race ahead to see if they can get there first.
But they are only two bodies.
Every step of every day:
Violated.
Traumatized.
But two.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Nesse voluntário exílio, arrepender-me-ei.

As luzes eram mais rápidas que a batida embalando os rostos noturnos, que estavam por ensaiar personagens. A força dos olhares, mais tarde, era estranhamente tranqüila e pedindo tanto, aqueles olhares sempre me pedem tanto...
E eu como sempre a flutuar sobre você, tão distraída... Comecei a te dividir em pedaços, um para cada pessoa que me interropia, gente que não tinha idéia do que eu falava, tão distantes do que sou agora, que você nem imaginaria, você nem imaginaria...
Digo que meu amor nunca foi desculpa para um cessar fogo dentro de mim, repito de diversas formas que você é a tempestade que chega para dar medo, é confusão descomunal, um desespero claustrofóbico... Você é um respirar cansado e tão contente, que eu quase não consigo perceber a linha que difere cada sentimento.
Mesmo assim, eu continuo entorpecendo o que os outros acham que é certo, mesmo respirando você, esqueço-me de tentar resistir ao que sei, sempre vai estar ao meu redor.
Assim o lugar fica cada vez mais monótono, e depois da ação virar conseqüência, afetando da maneira esperada o corpo que em tempos não se sentia assim, a forma com que eu penso é bem mais esclarecedora, quem dera eu conseguisse lembrar de manhã... Minhas atitudes agora são bem mais coerentes com o que transpareço quando estou só, quem dera fosse sempre assim... Porém o cheiro da bebida amarga e a dor entre os olhos e a boca são mais difíceis de lidar nessa hora, do que a minha insistente vontade de me entender.
Não estou propriamente vazia naquele lugar cheio do que não é necessário, preencho-me da falta, das lacunas, dos nossos nadas, nessa manhã translúcida que acende os devaneios do que sonho sem precisar de auxílio...
Solto toda a minha raiva num murmurio letal, meus gestos falados não tiveram o rumo dos olhos certos a noite toda, então acabo me percebendo calada, procurando como no passado, um jeito de não emudecer de vez.

domingo, outubro 12, 2008

O vento que toma o corpo sozinho.

A fumaça que meu corpo forma no chão molhado ofusca seu rosto quando penso que te vi... O gosto amargo na saliva que teu último beijo não dado deixou, me faz ter que pensar menos.
Nessa noite de alegorias humanas, de ingressos de sorte... O cansaço é proporcional aos recursos que se tem para ir embora. Ir embora... Solução pré julgada como solução. Medo ansioso que não venhas e a tormenta chegue logo depois.
Penso no que vem de longe, longe demais até do que sou, longe do que conseguiria ser... Um distânciamento de corpos estrategicamente feito para instigar, pro último canto sempre soar como o primeiro em qualquer espaço vão entre nós.
Eu não espero compreensão... Eu senti a ausência, eu toquei o vento que te conhece bem, pedi que venhas logo, fechei os olhos para te criar... E por algum tempo, te senti mais perto do que se realmente estivesses comigo. E preciso dizer, fui feliz.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Presença de tudo o que não me deixa dormir.

Por mais que meus braços estejam acostumados com sua presença cotidiana em meus ombros, não relaxam. E minhas pernas insistem em esquecer o que a realidade busca afirmar friamente e dolorosamente, assim continuam mexendo.
Os olhos, que já não são mais o mesmos, parecem enaltecer a dor que vem da testa, aquela que cria água.
Não consigo dormir, não consigo parar de imaginar soluções e escreve-las em papel com selo postal. Me distraio sentindo o cansaço que é proporcional a vontade de te ver, que não surge prometendo um fim, permanece. E permanece enquanto o doce da sua presença se esvai no que sei que criei, pintora de pensamentos que me tornei.
Seu fundo colorido tão singular faz com que tudo seja tão apaixonante e desesperador...
Você, ao mesmo tempo refúgio que me abriga e ausência que me mantem só, não me deixa dormir essa noite.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Te solto, segurando mais forte.

Cortam-se os fios da marionete eu, que você um dia idealizou. E assim uma parte do meu rosto já começa a ter reação sincera ao dia que chega cada vez menos lúcido, menos coerente. Os traços vão se fechando e mostrando a sinceridade externa que quase foi esquecida por mim.
Escrevo meus roteiros de viagem pensando agora em um novo rumo, e escuto vindo de dentro outro timbre se fortalecendo...
Já não preciso de ajuda para percorrer as curvas em linha reta. Não preciso de muitas razões me motivando a ser o lugar onde tudo já começa errando, ou sendo impossível...
Procuro pela chave da gaveta onde escondi trilhões de desculpas novas, e te entrego de bom grado.

quinta-feira, setembro 18, 2008

O quê te propaga em mim?

Ah meu bem, se você soubesse o quê te faz pulsar até formar um sorriso em mim.... Penso que é a temperatura variando nos passos conforme os pensamentos voam e percorrem o que não sei de ti. Talvez um querer inútil que vem das pálpebras cansadas de tanto se fechar, procurando o abrigo no escuro que temem. Por vezes acho que são manifestos de mãos ao rosto, de pernas trêmulas copiando as batidas do coração... Por fim é tudo o quê eu não sei explicar em um só fluxo, é tudo que embaralha minhas palavras em uma só expressão facial... Ah meu bem, se você soubesse...

quinta-feira, setembro 11, 2008

As coisas que são diárias.

Falar com você ameniza o fardo diário que carrego nas linhas da estrada.
A omissão intencional acaba sendo desculpada, porque se fez do que não se pode explicar.
As linhas que voam e percorrem os caminhos em que eu queria estar, chegam até você tão cheias de tudo o que eu preciso, e tão vazias de mim, que não te completam como o esperado.
A paciência inérte ao corpo sem toque faz ele parar de tremer e querer correr de olhos fechados, tentando acabar com a loucura toda.
De repente o corpo responde aos estímulos que vem de dentro, as coisas ficam mais claras e em um suspiro entendo por meio segundo o que isso tudo quer dizer.
Levanto e dou duas voltas ao redor de mim, peço desculpas em voz alta.
Perdi tanto das coisas que me prendiam em lugares que ainda freqüento, que agora a voz mais doce saí como um grito de socorro, e a minha resposta vem com dores na parte alta do cérebro, que me calam diante do que ninguém entende.
Mas enfim supero as curvas mudando o sentido da viagem, tampo os buracos com o tempo, e busco transporte nas coisas que penso diariamente.

sábado, agosto 23, 2008

Conversa afinada, afiada, fiada. (Loucuras pensantes sem parada pra respirar).

Conversa afinada no fio da meada no fim da estrada andando atrasada pra sorte que já vem mascarada.
Conversa afiada na ponta da farda de quem perde o fascínio sendo um fácil aceitador de aceitações.
Conversa fiada de quem enfia as palavras fazendo malabares com copos em bares de canções e emoções.
Conversa mimada de quem pula entre as beiradas de quem foge do nada porque se perde em tudo e fica mudo.
Conversa macabra de pessoas assombradas por olhares distantes por berros de consoantes.
Conversa sentimental que se ouve em qualquer lugar acaba-se indo para um recitau mesmo sabendo que não estarás lá.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Você, realidade minha.

Sua voz entra pelos meus ouvidos, assim como qualquer outra, mas se define como diferente na hora em que passa pelo meu pescoço e toma seu lugar de direito, apertando forte o coração.
O sorriso que me deu, cuido dele para me manter feliz. E a promessa que me fez, penso nela assim que sinto meus olhos fechando e vejo que a distância é uma mentira. Sim, ela se mascarou de tristeza para que não tenhamos chance de descobrir a sua verdadeira face, simplismente uma tremenda armadura de quilômetros.
Penso, e logo te vejo vindo em minha direção, com todos os aspectos que já conheço, com o calor que sonho, e com a voz que explode meus órgãos internos até fazê-los me obrigarem a te abraçar por uma tarde inteira.
Te tenho em mim, mais do que já tive qualquer coisa que pude pegar com a mão, sinto tua presença mais forte do que qualquer coisa que meus olhos me mostram todos os dias.
Meus sentidos, eles também mentem. Me mostram coisas ditas reais, mas esquecem que ferve por dentro uma vontade tão forte da borboleta impossível, que acabo por ver e tocar ela na minha imaginação, e se é o que eu quero, é o que é real para mim.
Minhas palavras de agora saem em um fluxo inconsciente de como a tua não-presença presente me controla, e completa meus dias.
Eu vou falando, e falando e falando, e daqui a pouco... Eu te amo

quarta-feira, julho 30, 2008

Borboleta confusa.

Amanhã é um bom dia, para procurar por ela e acabar achando sempre no mesmo lugar, na imagem que eu mesma criei e que se aloja dentro das minhas veias pulsantes. Por hora, eu preciso como sempre tentar a compreensão escrita, e por mais vã que seja, eu quero falar sobre o assunto sem explicação que corre com meu sangue, que talvez fique mais claro do lado de fora.
Os detalhes de cada traço da borboleta refletem meus olhos atentos, voando cada vez mais longe junto dela (é tão intrigante, mas não precisa soltar a voz para se explicar.).
Me faz temer a queda, já que me deixou acima das nuvens, contornando os meus desejos devagar, esperando o momento certo de dizer o que já sabíamos.
Provavelmente só vão ser mais duas asas bonitas que coloriram o preto e branco dos meus textos, por isso eu espero que o provável se mude junto com meus sentimentos antes de ver aquele vôo.
Vejo claramente as dúvidas que vem de mim permitindo que meu corpo se deixe espancar, por vezes inundado de felicidade, e por vezes fora de toda a cor.
Depois dos gritos aliviantes, de repente, o medo volta. Enquanto toda a cena permanece no silêncio das palavras perdidas pelas razões erradas.
Eu percebo dois corpos que se movem para vencer os passos que os separam, mesmo assim eu não a sinto, sentindo como nunca.

quinta-feira, julho 17, 2008

Despedida do que vai ficar para sempre.

Venho falar sobre o que choro agora, sobre o que não entendo mas que acaba sendo tatuado por dentro, sobre o que desespera o corpo, sobre como ele não para de se contrair...
É o que todo mundo espera desde o começo, o fim. É o que atinge os órgãos vitais de tal maneira que você começa a se dilacerar por fora para não ter que pensar no que corrói por dentro.
É a forma mais difícil de passar os dias, em sofreguidão pelo amor romântico, em rebeldia pelos dias perdidos, tentando cessar o fogo que não deixa de arder quando como algo, ou tento sorrir.
É tentar resistir, escrever coisas lindas sobre pessoas que não existem, ler contos de finais felizes, ver o nascer do sol atrás do copo de bebida. Mas se torturar travando ao escrever sobre o quê não se sente, chorar de inveja das pessoas do livros, se jogar cada vez mais no vale escuro com as atitudes insanas de uma criança sem lar.
É o esforço para andar, um pé de cada vez, empurrando o corpo junto, arrastando os braços consigo, aqueles braços que já não me servem mais para nada, aquele corpo que vira um fardo e acaba se deitando em qualquer lugar para deixar a mente tomar conta de tudo. Enquanto o coração chora pelos olhos, a boca se fecha e o esforço para tentar esquecer de tudo faz com que eu nunca me levante.
Acabo virando meio que um zumbi, te carregando nas costas, nas mãos, entre o pescoço, nos braços largados...
Minha garganta pronta para o grito se cala diante da voz que quero esquecer. Sou meu próprio veneno, me esgueirando pelos lugares mais sujos, me escondendo dos meus atos, tentando inutilmente resgatar um pouco da paz que já existiu em mim.

terça-feira, julho 15, 2008

Substituição de sentidos pelo que foi sentido, ou o que faz sentido.

O que me tranqüiliza é ver com precisão absoluta onde acabo me repartindo. Quando vejo minha boca falar o que não vai ser escutado enquanto penso no que deveria mesmo ser dito, eu tenho a certeza disso.
Sei que com os ouvidos não deixo passar nenhuma frase sem cada palavra ter significado concreto, por isso não entendo por qual motivo minha boca cessa e se cala diante de verdades irrevogáveis.
Preciso é de mais atenção dos olhos que se escondem, fazem de conta que estão abertos, mas são tão vagos quanto a voz que saí da boca mentirosa.
É um desvio de olhar, uma frase que já começa trêmula e incoerente, dentro de uma mente que sabe o que precisa dizer, mas diz o que deve.

terça-feira, julho 08, 2008

Cada história, um pouco de ti.

Um quarto fechado, meio sonolento e fraco, o prazer é todo meu em quebrar o silêncio com a persistência de minha escrita rápida. O suor da sinceridade escorre, passo as mãos sobre meus olhos, elas estão anestesiadas agora, são fragmentos seus tomando conta de todo o meu corpo. Teus olhos, meus caminhos, tua boca, onde me perco, tuas mãos suaves, de tão anestésicas não deixam a sensação passar nunca após um toque. Teu corpo me cobre do refúgio que sempre procurei, sempre precisei, sem o qual agora não vejo mais razão em estar no mundo, já que meu universo cabe com folga no nosso beijo. O agrupamento dos dias, faz mais forte o sentimento sem razão. É tanto estar com você, apertar seus ombros esperando uma resposta do pescoço que se inclina à espera de mais cinco minutos comigo.... Depois percorro seus cabelos, e eles não me mostram direção, desorientando todo o meu corpo. É nesse momento que eu me movo tentando superar o vazio que existia dentro das minhas veias. É tanto, que eu não sei o quanto. Minha cabeça se move conturbada com tanta saudade inundando todos os meus órgãos, tecidos e ossos. De você não consigo me esconder. É amor, e dá medo só de pensar que é igual aos filmes.

quarta-feira, julho 02, 2008

Senso de direção.

O que escuto junto com as teclas apressadas por compreensão escrita, é o que me deixa simples e só, e isso basta. Uma prova a mais de que o completamente aceitável está dentro da linha de trasição entre o certo e o errado, o que me faz reter o alívio de continuar sendo eu por alguns dias.
O rosto agora descoberto e repleto de um não-significado, de tão puro e simples faz entorpecer qualquer idéia de toque. Tem coisas que te emocionam só com o que aparentam ser, não sinto mais a vontade de possuir, ou tocar eternamente.
Sinto sim uma fuga rápida para o canto esquerdo, um tempo barato para o que se diz importar, um jogo fracassado de quem perde primeiro.
De repente o que pesa não é só o que eu levo comigo, mas o que me retém dentro do lugar. O árduo esforço para me mostrar esforçada...
O trabalho sem recompença, de pensar mais para a direita porque te ordenam, fora da minha rota esquerda, da minha segurança de não confiar, da minha insistência de me manter só.

segunda-feira, junho 02, 2008

Displicência.

Para sua segurança, desacelerou seus passos, acalmou sua voz, engoliu seco e fechou os olhos.
Para sua vingança, impediu-se de chorar, não descansou mesmo com todos os ossos doendo e tirou o casaco.
Para sua rendição, estendeu o pano branco na janela, destrancou a porta e ficou de pé sem pretenção de correr.
Para sua possível cena decadente, colocou um lenso no bolso, tirou de perto os objetos de valor e cortou o fio do telefone.
Para suas falsas desculpas, fechou a boca com fita adesiva, esvaziou a mente e esperou sem pressa.
Para sua raiva, mordeu os dentes forte, fechou suas mãos apertando até sangrar e respirou fundo.
Estava pronta, desarmada, sem ser ela mesma, ridícula e inútil.
Esperava por alguém que viesse com palavras em atitude dizendo o que ela precisava escutar berrando, já que de tantos sentimentos ensurdeceu-se.
Aguardava as críticas sem pensar em argumentos, quebrava o que já estava trincado por tanto tempo sem gritar.
Não esperava mais entendimento, não esperava mais a atitude sincera, não esperava nem de si mesma ser o que é.
De tão sozinha, a dor doía mais e ela alimentava isso pronta para explodir, bomba relógio que se tornou.
De tanto medo, não teve vontade de se soltar da corta que teceu, imóvel por opção.
Para a sua vida, estendeu a mão até o peito e tirou o pouco que restou, esperando viver com que ainda se consegue aproveitar de um corpo em sofreguidão.

segunda-feira, maio 05, 2008

Se eu não falasse tão baixo você não escutaria.

Hoje não posso medir palavras, até porque a borracha já se foi, com medo de borrar minha sinceridade em dizer que estou realmente arrependida de não gritar. A tinta da minha caneta pode sentir a dor do grito contido por entre o plástico e os poros da minha pele. Aperto ela forte até minha garganta abrir. Susurro com o olhar que de repente eu posso desistir de escrever, mas acabo desabafando com o papel até meus olhos secarem. Fujo de mim e me esqueço esclarecida. Tomo uma dose a mais de dor renovada e despejo o vômito em linhas confusas. Espero que os borrões mostrem as partes que eu não soube esconder direito. E que as vírgular não colocadas, demonstrem o quanto corri para tentar me envolver em algo que sei, perdi em algum lugar em que nunca estive. Naqueles lugares em que me imagino sempre só.
O outono desse ano explode para mim como um canhão de palavras ásperas, doloridas e sangradas. A verdade é que preciso de mais tempo para não querer mais tempo. Quero mais liberdade para me aprisionar. Preciso cair no chão para ter novamente vontade de voar. Gostaria de ter de novo a angústia de caminhos errados e vida confusa para engolir e digerir a perfeição que vem com você.

segunda-feira, abril 14, 2008

The 4 strangest months.

She wakes me up to ask if I'm asleep. One minute past and I need some cigarettes.
I don't have a social life in the bed, but she don't care. (- Can we stay in bed all day? - I tried to act as if I didn't want to get out).
I only gonna live what I learned in 4 months: sentimentaldrunk-heartexplodingwithlove-tryingsohardtoholdon.
Well, I did the things you said to do. But I ever saw your point of view. (I sick of live in love)
I dreamed of some kind of perfect life and I never even realized what it was. And I still wake up with a smile on my face because I've invented my own truth. It's a feeling inside that words just can't describe...
My friends all say that I'm crazy and they're probably right, but nothing's gonna turn me off of my decision...
She's a time bomb, but I need someone here for a change. She's a time bomb, but I need somebody here to annoy. She's a time bomb, but I need someone to talk during. She's a time bomb, she's a time bomb, and I can't say that I didn't know this.

segunda-feira, março 24, 2008

Dúvida anestesiada.

Meus pés estavam frios, mas não congelando como as gotas de chuva fazendo meus olhos se esquivarem delas e das outras, que haviam dentro deles. A pedra por estar tão perto do abismo parecia longe da realidade do que realmente aconteceria. Eu não iria mais à frente, pelo mesmo motivo de odiar parecer tão sentimental, um desequilibrar dos meus passos e o som do último violino viraria harpa seguida de vozes familiares. Isso não era necessário, mas essa dúvida constante sobre a pedra, meus pés e os passos era o que eu queria.
Mesmo sabendo a resposta de meu corpo inérte ao mar, minha mente me levava a sentar e pensar a respeito. Enganando a si prórpia, imaginando que quem avistasse a grande pedra agora, pensaria que é um caso sério de amor perdido. Talvez encontrado, e intenso demais para quem molha toda a roupa de chuva sem se importar, mas fecha os olhos antes das gotas de dentro saírem.
Por vezes eu pensava nos sentimentos dos abismos anteriores, e como a dúvida dos passos fazia menos sentido. As conquistas eram mais valiosas que os passos.
Olho para meus pés e eles já estão quentes, a tormenta congelante se foi. E antes de pensar em qualquer coisa, ainda de olhos fechados vejo folhas e um all star branco, de um dia em que os passos iam em busca de um abraço. E que as lágrimas salgadas como a água do mar que trouxe a dúvida, estavam lá dentro pulsando felicidade, assim saindo e lavando todo o rosto mascarado de sempre, sem mais conquistas, porém conquistado.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

É para não acreditar, acreditando estar certo porque mais te convém.

São cacos, fragmentos de conversas sólidas derretendo com a chegada da noite.
São frios, amigos que trazem consigo a luz que esquenta os pés quando a ressaca é moral.
São negras, as vestes que vestes tentando dizer algo claro que compence sua falta de vocabulário.
São fracos, os sons das vozes que de tanto rodiar meus medos acabam se perdendo por entre minhas esperanças.
São brilhantes, os óculos que me obrigaram a usar protejendo as idéias vermelhas e embassadas que são parte de mim.
São vazios, os tubos de ensaio cheios de memórias novas que me deram, mantendo esquecido o meu vácuo insano.
São dolorosas, as palavras que me acariciam cuidadosamente, com a verdade sincera acabando comigo.
São de ferro, as passagens de dor para calmaria, de vício para ilusão, de noite para dia.
São de fumaça, os sonhos concretos que acabam sendo reciclados a cada estação.
São de verdade, as mentiras que já contei com os olhos quando eles revelaram mais do que eu deixaria.

domingo, fevereiro 10, 2008

Como eu te amo...! (Como eu te amo?)

Talvez seja mesmo impossível acabar com essa condição humana de ser sempre compelida a encontrar alvos fáceis para prejudicar, tentando preencher tudo aquilo que já é vazio à tanto tempo por dentro... Esse vazio andou comigo sempre tão intenso, que agora a falta dele me faz sentir as batidas do meu coração quando fecho os olhos.
Eu preciso dizer o quanto finalmente estou vivendo, vivendo! Engraçado que além da superfície sempre moldável do meu corpo, o que havia por dentro foi tratado com tanto apreço que definitivamente nunca será igual.
Mesmo que todos esses bons ares retornem ao seu lugar de partida e o vazio volte, a cicatriz de já ter sido tão feliz vai afugentar qualquer chance de não querer sorrir. Acho que poucas pessoas sentem isso, essa neurose toda por estar tão feliz e não saber o que fazer com todos esses sentimentos novos.
Te amo assim, mudando por sua causa. Te amo abraçando você como se fosse o que preencheu o vazio que me fazia tão mal. Te amo prepotente, no meu mundo de palavras decoradas, perdendo todas elas quando te vejo vindo em minha direção. Te amo transformando você em noite só para ver o meu dia clarear em seus braços. Te amo com as cores voltando a fazer algum sentido . Te amo como acho que se deve amar, tão puro e sincero como acho que seve ser o amor.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Ana, seus sorrisos e seus olhares.

Com um sorriso para cada momento, Ana tem a expressão mais clara no rosto mais bonito que já conheci. Quando sorri e fita o seu olhar em mim, entrelaçando seus braços sobre meus ombros, eu sei que ela sentiu saudade. Se tira o cabelo da face e revela um sorriso de aceitação, de pura felicidade, meu coração se enche da mesma felicidade misturada com a paz que esta cena me traz. Porém quando o verde de seus olhos se ofuscam com lágrimas do que a corrói, sua boca se cala e começo a ter febre. Quando se sente protegida, fecha as suas pálpebras bem forte, e enquanto sorri de boca fechada, eu acabo por suspirar sinceridade antes de dizer que ela me mudou. Ao entregar seu corpo por completo em uma emoção imensurável, Ana se transforma em verdadeira e infinita beleza. Ah Ana e seus sorrisos, ah Ana e seus olhares...