sexta-feira, fevereiro 25, 2011

...

Digo: Te escolto até em casa.

Depois escuto: Até amanhã.

Penso: Não sei o que estou fazendo aqui.

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Escuto: Bom dia.Vens?

Digo: A que horas preciso ir?

Penso: Não sei o que vou fazer por lá.

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Escuto: Qual deles?

Digo: Compra o verde.

Escuto: Que bom que você está aqui.

Penso: Silêncio.

,

Digo: Existem mais cores...

Escuto: Silêncio.

Penso: Não vou dizer até amanhã.

,

Digo: Não sei o que estou fazendo aqui.

Escuto: A que horas preciso ir?

Penso: Te escolto até em casa.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Já chegou o maestro...

Tentando reger o coro, mas parou o seu trabalho gestual e começou a conversar compulsivamente...

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Displicência...

Entre um dia e outro, você surge nas noites de insônia, fazendo-se presente em tudo o que não me deixa relaxar.
Entre um soco e outro, o corpo só dói depois que silencias o quarto. Mas tua casa não vai me reter por muito tempo, um gigante está crescendo.
Acredito que até tu confias nas mentiras que contas sobre nosso sangue, mas não somos iguais, e o ácido dentro de ti anda corroendo os órgãos.
Nenhuma doença se dissipa quando o organismo a julga parte do corpo, e é tão você toda essa loucura violenta, que agradeço por ser mais um câncer expelindo.
Encontro uma brecha entre uma discussão e outra, para sair disfarçando minhas marcas tuas, deixando intactos meus traumas ateus.
Já vimos essa cena antes, e a cada dia mais a resistência se monta na minha frente, com mil exércitos prontos para um grito que o mundo escutaria.
Eu imagino como é viver sem medo, e por isso não há tranca que me mantenha entre tuas paredes.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Inerte.

Mesmo com tanto calor, ela não conseguiu tirar a roupa.

E por mais que quisesse. nem o maior sono permitiria que fechasse os olhos.

Se pudesse dormir, torceria para não acordar mesmo no seu pior pesadelo.

Mais tarde, o peso que fez os ombros doerem deixou marcas de unha, como se fossem avisos.

O copo quebrado não a fez juntar os cacos, o tecido estampado não a fez rever as cores.

A música não a fez tremer o corpo, o desejo não a fez dar um passo sequer.

O encanto não resgatou o sorriso, o medo não a fez recuar.

As ideias perderam o juízo, a arte estava ausente no mundo.

Nos toques nada se sentia, em fotografias não via a mesma eternidade.

Por isso, guardou sua voz para algo grande, e ainda está alí calada, esperando alguém lhe fazer a pergunta certa.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Vai, vai discursando tua nova vida... Você anda tão perdida... Como quem defende os fracos condenando os fortes à mesma dor... Assim não estamos falando de equilibrio, falta a ti a compreensão de igualdade. E em controvérsia constante, vejo-te deixando-me como espectadora, sem pensar que teu show já passa para uma sala vazia de mim.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

E de ti, o que tens?

- Eu me sentiria melhor na vida se soubesse que você está bem, só.

-Eu me sentiria melhor na vida se você soubesse que isso é egoísmo, daqueles que te fazem perder o foco da escrita, posto que é só isso. É acomodar-se com um mistério. Sempre quero saber o que tens de ti, além do que sentes por hora...

- E de ti, o que tens agora?

- Mais ou menos 12 escolas, 5 grandes escolhas, algumas marcas no corpo, uns dois amores e uns riscos que não corro mais. Tenho uma forte lembrança de quando alguém me pediu para ver cores de olhos que sempre foram negros, e só entender anos mais tarde. Tenho uma mágoa que insiste em me por de pés firmes no chão gelado, e um segredo que levita meu corpo enquanto durmo.

Tenho mais reticências que um texto permite, sou um drama de propósito. Vejo perguntas em pontos finais alheios, encontrando em mim uma falha genética.

Enxergo diariamente meu medo de ter inteligência barata, e não conseguir parar de resolver cálculos matemáticos como prova real inconsciente sobre mim.

Estou armada até os dentes de tudo o que acredito, e atiro.

Especialmente hoje, sinto falta de um lugar verde, de um apartamento e apertar o 10º andar, da voz noturna cheia de histórias, de alguns chapeis e algumas vitórias, também de não dormir sem rimar... E, para a conversa fazer sentido a ti, estou bem sim, mas isso é o que menos importa, tendo em vista o que poderias saber antes de eu te dar boa noite cheia de fragmentos mais exatos.