terça-feira, dezembro 30, 2008

Não é para você, nem para você.

As milhares de luzes retorcidas no rio de algum modo deixaram seus olhos mais claros a medida que ias mentindo. Enquanto isso minha perna direita que tende a tremer se retém quieta, e os corpos se aproximam...
Confundindo-te com minhas palavras já impressas, doei a você minha noite que sempre foi de fuga, sem conseguir me refugiar em teus braços tão impuros quanto a água que emerge desse rio.
Sigo contigo pela estrada de desvios sendo livre, cada vez mais comprometida com o que me faz sentir toda essa coisa (essa que você não consegue mais fazer).
Não me abalas se fores embora, não me embriagas mais, não tem sentido algum nosso andar compassado, desculpe.
O céu fica roxo escuro e lembro do que é belo de verdade, sinto que estou ganhando tempo quando a hora começa a passar rápida, é contagem regressiva, é sol nascendo. Mas não se preocupe tanto, talvez ainda voltaremos a pisar na sujeira que hoje deixamos para trás.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Now, let the history repeat.

A música tocada sobre a invasão procedeu. Seus lábios secos se transformaram e a sede sumiu. Sentada em um sofá qualquer, fechando apertado os olhos, conto até dez antes de aceitar. E posso sentir o calor em volta, pois a chuva fria vem de dentro para fora.
Bom, lentamente os lábios chegaram e o sorriso veio recatado, será? Penso nela confrontado-se com a escuridão que estava acostumada por um tempo, esfregando os olhos sonolenta, ela sempre perde desse jeito para a noite?
Minha música lenta e desbotada voltou a vida. Também o temor de coisas não cumpridas, algumas idéias que as pessoas nunca cumprem por serem pessoais demais. Não temos caminhado tendo em vista o mesmo sentido, tão pouco pensou-se mutuamente em coisas que eram certas pra mim. Mas a voz continua ecoando nos meus ouvidos, e a imagem dela é algo complicado, algo com que não sei lidar. Apesar de reparar declives em seus olhos por miragens e ilusões. Muitos desses pensamentos estão presos tão dentro de mim, que poucos verão verdadeiramente a luz do dia, mesmo que lidos e interpretados.
É estranho como passamos a frente das coisas, mesmo antes que elas aconteçam. Quando qualquer compromisso é um fracasso tão leal, tentamos qualquer tipo de frase clichê para amenizar o que sabíamos que ia acontecer, "é para o nosso próprio bem".
Lançada através das páginas do meu dia, você viveu em mim em momentos que eu achei que nunca conseguiria terminar o capítulo, e em outros que pensei que nem o começaria. Por fim não estás realmente escrita, não tem seu nome em nada, meu bem. Mas para os que não são leigos de mim em cada piscar de olhos meu, vêem um vazio distante desde que te conheci.
[There's a sunbeam that dwells on earth by my side]

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Orquídeas.

Me encara, é cara. Reflete, enfatiza. Em sete segundos se modifica.
Existem mais de 30.000 espécies de orquídeas no mundo, e mais de 50.000l jeitos de descrever um desligar de telefone. Não escrevo esse tipo de coisa, não quero informação barata, quero me desajustar confundindo-me para fluir.
Quero escrever sobre uma flor, tenho que entender o desenvolvimento dessa flor. Em minha própria adaptação disso, busco uma ligação a ela, já que ficou presa ao meu corpo em algum momento da história, ou dessa história.
É sobre flores. Digo em voz alta. É loucura sobre adaptação, sobre evolução, desejo por sede...
Apaixonar-se por uma coisa intensamente, diminui o mundo de maneira que ele se torna mais controlável. Me asfixia seguir seus passos, flor.
Perco o foco, é sóbre flores. Apaixonar-se não é importante agora, é mero fato de distração mundial... Mas pensando bem por vezes elas também são intoxicantes, as flores. Estar perto de algo tão vivo me deixa sem jeito. Fantástica, fugaz, e fora do alcance das minhas palavras. Já é sobre você.
As pessoas vivem cobrando a atitude certa, a palavra no segundo que deve ser dita, coerência... Essas coisas que são ditas automáticas por quem diz ter bom senso. Bom senso...
Uma mudança, que causaria perca momentânea do bom senso não é propriamente uma escolha, nem para uma planta nem para mim. A única diferença talvez, seja que menti sobre a minha, escondo-me dentro da pele, enquanto ela murcha. Porém ela não tem medo da casa vazia e do vento que faz imaginar um toque.
É sobre flores, é sobre as benditas orquídeas, é sobre a minha única inspiração soprada antes de aceitar o arrependimento, é sobre você, é informação barata sobre mim.