quinta-feira, dezembro 19, 2013

Estarei viva para a primavera.

Começo com um novo período de suplício. O telefone toca. Não existe razão especial para que seja ela, como não existe razão para que não seja. Ela telefonaria, apesar de tudo. É possível que um dia volte. É possível que tudo esteja como antes, é impossível que continue como antes. 
Aquelas mãos. Nunca tocarei a não ser que o mundo tenha piedade. Nessa febre da espera, eu a revejo dentro de uma taça de vinho. Nesse gosto do vinho. 

O telefone toca. Ainda não era sua voz. Para essa angústia, ando devagar para ganhar tempo, mantenho-me ocupada para não me ocupar de nós. Nós. Sorrio.

O que é meu sorriso se não um retrato de um covarde? Por guardar tanto medo no peito vivo nas sobras de quem eu poderia ter sido. Por abdicar a tantos sorrisos, o alter-ego gargalha do herói arrependido.

Escrevo que talvez eu a procure... Desisto.
Continuo com febre. O mundo continua acontecendo e as pessoas giram ao meu redor. E eu não sou nada. Nada. Nenhum tipo de movimento. Nenhuma grande companhia. Um buraco negro. Um abismo em que me jogo após dia após dia. 




domingo, setembro 22, 2013

A página ainda está em branco. Engano-me mantendo-a aberta por dias à espera de um surto poético... Já não consigo ver o que está em mim.

Assassinato de palavras.

Quando ela está com toda a pele à vista eu me enxergo melhor... Mas as noites insistem em acabar, e tudo o que toquei vira pele morta pela manhã.

Sussurros dos dois lados dos meus ouvidos seguidos por uma excitação como uma música que começa falando de amor sem machucar ninguém, me faz querer escrever...  Para dizer a ela que se pudesse fazer um trato com as horas nosso amor não pararia de ecoar nas nossas vidas. Porém, hoje preciso repetir teu nome em voz alta, para te materializar no quarto, sem saber direito como foi que a minha vida ficou vazia de ti. E como que a cada passo que damos, a cada osso quebrado, estamos sincronizadas nessa poesia agoniazante de amor recíproco destruidor... 

Digo para lembrar-se de mim quando todo mundo ver que a ferida começou a sangrar pelos olhos, quando as fotos forem mais reais que o momento presente...

Talvez lembraremos só das celebrações e de quando nunca ficava tarde, do sol brilhante e do crime perfeito. De estarmos nesse descompasso dançando separadas a mesma música, cantarolando um adeus que nunca aconteceu.

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Estive dormindo e te vi aqui, e exceto o seu rosto não consigo pensar em nada melhor para me despertar...É quando encosto meu corpo no teu perguntando a mim quem escreveu esse texto.

sábado, agosto 31, 2013

Que as concessões feitas por ti sejam vontades da tua existência, e não subtrações da tua essência.

Foge amor! Pela fresta que a tua entrada deixou na janela do meu quarto vejo a cavalaria chegando para te buscar. Corre e te liberta de todo esse passado de mil soldados vigiando tuas decisões. Vai embora meu bem, e se um dia voltares esteja só, para que eu possa ver, finalmente, por trás das tuas armaduras e amarguras, e beber da tua voz como se fosse água de cachoeira. 

Não posso continuar presenciando a tua cegueira de olhos afogados nos desejos alheios, preciso saber quem tu és, de que cor são esses olhos...

Então some e te renova, que o tempo só pode somar na vida de quem sabe o que quer, e por isso sabe quem é. 

quinta-feira, julho 11, 2013

Para terminar de começar.

Já faz um tempo que sinto falta de você que me lembrou de quem eu era quando eu gostava mais de mim.
Fico imaginando o que você diria sobre quem me tornei, sobre aquele dia que se fez fronteira entre quem eu poderia ser, e a longa escalada até eu notar que anda em círculos quem só olha para os próprios pés...

Se passaram anos, se passarão décadas, e ainda posso escutar sua risada quando perceber que é aqui o meu lugar. É onde pousarei minhas mãos calmas, trêmulas, suadas, drogadas, mentirosas,e apaixonadas pela ideia de você voltar a ler e sentir o toque delas pelos seus olhos. Porque minhas palavras, se fossem uma pintura, seriam do formato do seu rosto, como o vejo agora.


sexta-feira, maio 17, 2013

Assistindo meu sofrimento através do espelho, peço perdão aos meus olhos por não deixá-los descansarem nessas noites mal dormidas. Espectadora da minha própria morte, vejo a vida que levo apagar-se novamente deixando o mundo, mais uma vez, e imutavelmente, sombrio. As lágrimas servem como lente de aumento mostrando que, dentro desses olhos, não existe mais sequer um ponto de luz.


Um passo a frente, meio sem fôlego, e hoje nasce para uma vida de morte outro um zumbi por não aguentar as dores do amor romântico.

quarta-feira, maio 08, 2013

Tudo vai passar.


Não posso tentar ver além do óbvio enquanto para ter meus olhos atentos for preciso que você os veja também. Não existe possibilidade de caminhar em frente enquanto eu precisar dos teus passos como modelos pros meus. Nem penso em abrir os braços enquanto não for para receber teu corpo. Não, não existe respiração saudável enquanto tua partida me deixar desse jeito. E é infeliz qualquer pensamento que não solte suspiros pela boca de um futuro junto com o teu. 

Fecho os olhos. Com o corpo paralisado procuro pela liberdade de não precisar correr para longe a fim de sentir-me livre... Sei que é necessário mais tempo para os poros entenderem que precisam expelir você em forma de suor, e minhas retinas permitirem que essas lágrimas caiam de uma vez. 
Faço minhas mãos encontrarem meu corpo, e a cada toque, apago uma lembrança tua.

Estou sozinha outra vez, tentando lembrar de quem eu era antes de esquecer das certezas que tinha sobre mim. Procuro desesperadamente por um ponto de equilíbrio, por uma corda bamba que me faça arriscar a caminhar sobre tudo isso.

Despejando todas as minhas reflexões pelo quarto vejo que as respostas são as próprias perguntas que me faço. 

Destruo simbolicamente o que tu és para mim, porque o peso de te carregar sozinha não me deixa perder essa dor nos ombros de abraços ausentes, essa dor nos ouvidos que teus silêncios me causam...

Lembro-me do quanto é mais fácil fingir que é assim mesmo, que esse é teu jeito e que no fim tudo vai passar... Pois é, nessa de "tudo vai passar", de repente o que passe é esse amor.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

O sol espanca meus olhos despertando-me do último pesadelo de mais uma de minhas noites mal dormidas, e numa tentativa frustrada de dar um sorriso esbarro nas palavras dela.
Esperei um dia propício para lhe dizer algo importante, que agora, não consigo mais lembrar. Escondi algo valioso do meu passado dentro de mim, e quando te disse soou tão pequeno... Encontrei as chaves de todas as portas para me encontrar, mesmo aquelas que estavam trancadas pela parte de dentro. Enforquei meu ego antes dele dizer suas palavras finais. Desmanchei meus diários e embaralhei todas as páginas para que aquele personagem nunca mais venha a tona. 
Queimei minhas razões, como o sol de hoje que veio para queimar a pele, destruindo toda e qualquer possibilidade de reerguer algum erro do passado das cinzas que sobraram pelo chão.

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Ponto de partida.

Escrevo-te hoje em total desordem porque é como você me conheceu, metade achada, metade perdida...
Só porque o sentimento de agora não é relatável, não vou me render a decepção que a simplicidade desse texto pode me dar, diminuindo o que é imensurável e aumentando a distância entre nós.

Escrevo-te hoje pois viver é atrapalhar-se entre as palavras que criamos. E se eu pudesse fazer de outro jeito, meu bem, tu sabes que eu não voltaria a testar tua tese dos meus "ciclos" de palavras.
Não vou mais tentar encontrar em mim ou em nós, artifícios para bancar toda essa história já que agora não temos mais a mínima possibilidade de sairmos ganhando dela.

Escrevo-te hoje, para dizer algo sobre minha total impossibilidade de escrever-te como antes. Para dizer que fiquei mais silenciosa, que perdi uma certa amizade que eu tinha com meus pensamentos depois que provei o gosto do tempo que passou enquanto eu tropeçava em qualquer coisa, e eras tu que caías.

Escrevo-te hoje, para nomear aquele sentimento que eu disse que estava procurando em mim... Era mais fácil ser a pessoa dos teus sonhos quando tudo o que eu fazia era sonhar também. Ninguém consegue escapar de criar jeitos de driblar o tempo enquanto o amor não acontece...

Escrevo-te hoje para dizer que quando eu projetava tudo o que eu dizia saber sobre o amor, imaginava alguém como tu na minha porta.

Escrevo-te hoje para mostrar que agora sei sobre tudo o que eu falava, sobre o que eu ansiava todo dia, e que estava bem ali na tua chegada e no teu jeito de embaralhar minhas palavras...

Sei que agora não existe verso ou frase feita que faça algum efeito em ti, não existe mais minha combinação costumeira de argumentos que pedem perdão sempre de pé... Só a mesma garota que tu conheceste voltando a vida, sabendo que desperdiçou a única chance de fazer-se ter razão sobre o que é amar, quando no começo negou o amor que sempre esperou sentir.

segunda-feira, janeiro 07, 2013

És tu.


O plano seguia bem, aquele deveria ser o último bar e eu deveria sentir pela última vez a sensação de estar bailando trôpega na corda bamba que divide meu passado do futuro que quero.
Escutando barulho de chaves se batendo ao fundo, reconheço o sinal sonoro de quem está por vir. Aquela garota não é de surpreender ninguém, sempre avisa sua chegada para não ser cumprimentada por nada menos que um sorriso. Mas naquela hora da manhã meus olhos já estavam gradativamente se pondo cegos a qualquer toque de realidade, de mãos... Resolveram transportar-se para dentro do meu corpo, e assim estive me enxergando sem a mínima vontade de virar o rosto, de sentir qualquer outro gosto, ou de me animar com a chegada de qualquer outra pessoa que não seja a que provocou essa reconstrução interna.
O som daquela chegada ficou cada vez mais forte, e ensurdecia-me de propósito. Até que pude me tornar invisível a todos e respirar no compasso certo de meus pensamentos...

O entra e sai daquele lugar me fez calcular quantas portas ainda terei que abrir para tu saberes que quero que entres. As palavras doces e sussurros de outras mesas me fizeram imaginar quantos quebra-cabeça de declarações ainda vou ter que montar no teu corpo. A minha saída do bar, e o sentimento de que qualquer lugar é igual a menos que estejas nele, me fez ter a certeza que não tenho mais o que esperar, porque és tu.