quarta-feira, março 24, 2010

Raindrops.

Eu tento.
Mas não é suficiente.
Deixe-me pegar emprestado as nuvens cinzentas dessa tarde, para rabiscar sobre elas.
Vou enviá-las à sua terra inviolável.
E reze, para que não mudem de curso ou de forma
Como acontecem com as palavras.
Ou até que se choquem contra outros desabafos românticos
E escorram água como uma chuva de aplausos.
Há muito mais a dizer, e tenho, de fato, deixado muita coisa de lado.
Mas por agora, estou tentando perscrutar o mundo
Através das gotas de chuva que se agarram no varal da minha casa.

segunda-feira, março 22, 2010

Thirst unanswered.

Falar disso tudo de uma forma diferente, de algum jeito que não machucasse a retina quando eu fosse revisar o texto, deixaria na boca o gosto de ferrugem dessas grades hospitalares. Que para mim, acabam sendo mais familiares do que essa nossa prosa colocando pontos nos papéis em branco... Acostumei-me a enganar-me.
"Arruma teu rosto, menina. Levanta esse queixo. Esconde entre teus cílios que já não tens mais aquela ânsia por nos entender. Escuta-nos como quem ouve propaganda barata. Está pronta a tua mente para a nova enciclopédia de desculpas, e junto disso, uma gota do teu sangue nessa pele branca personificará o nosso discurso."
Encontrei três ou quatro motivos para vir até aqui ver com meus próprios olhos, mas aos poucos, fui perdendo eles pela janela entreaberta do carro. E a noite esfriou de repente. Quando vi um ou dois motivos no rodapé daquela sala para permanecer alí sentada, foi só por cansaço, foi pela espera não ser em vão, foi só pela viagem não ser um erro interligado as minhas decisões entre dúvidas. A certeza de que o silêncio reinaria e que aquela cara de "você já sabia..." não iria mais me chatear, tinha que ser concretizada para os meus passos futuros estarem completamente descalços de vocês, sentindo terra firme.

domingo, março 07, 2010

Tudo em tão pouco.

Ela esvaziou os teatros da cidade,e colocou todas as cadeiras no meio da rua . Mandou os cérebros petrificados para casa, e trancou os portões dos estacionamentos com fitas de presente. Desbancou os meus mestres e meus conceitos. Depois fez palco para a criança distraída e mostrou-me passagens que vão além do que sei. Louvou as folhas que já caíram no chão, e obrigou os hospitais em que já estive a abrirem todas as janelas. Fez o vento soar minha música predileta, e expandiu seu cheiro por todas as calçadas a nossa frente. Acabou com o peso da minha mochila, e entreteve tanto meus olhos que minha angústia diária sentiu-se acoada. Parou como quem não sabe o próximo passo que vai dar, e esperou-me decidir, ficou alí flutuando entre as construções que iam desabando ao nosso redor... E isso tudo só com aquele riso entre uma e duas da manhã.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

A estrada.

Algumas coisas ficam com ar de desonestas ao tentarmos defini-las. Algumas pessoas dizem que suas vidas são influenciadas demais, justamente porque sempre tentam defini-la... Nós usamos como base da nossa verdade o pensamento, que para mim está subordinado à estrada... Como não podemos dizer onde exatamente está posicionada uma casa a menos que sairmos dela, como não se pode dizer o sabor da nossa própria língua... É prova de que não podemos usar o pensamento para definir algo que vem antes do pensamento.
Então, tudo o que podemos definir ou analisar, ou sequer imaginar são manifestações de ruas inexplicáveis vida a fora, de jornadas comparTRIlhadas conforme vamos fazendo curvas, e paradas. Isso é o que nos explica, é por onde andamos pensando, e às vezes por onde pensamos que andamos.
Também a certeza dessa enorme incapacidade do ser humano de definir o caminho é muito sinistra, a falta de um objetivo final, ou a mudança dele de um dia para o outro. Mas de que importa o gosto que tens na boca quando te perguntam para onde vais e pensas como J.R.R Tolkien, com aquele sorriso entreaberto: "West of the moon, east of the sun."

Temporário.

Andei lendo coisas que escrevi e uma parte minha não me reconheceu. Isso é mais doloroso do que qualquer espera, e mais sem sentido do que qualquer traição.
Andei escrevendo versos claros, falando como se conhecesse bem o que sinto... Não mantendo mais as aparências, em queda livre me joguei em ti de um jeito que me deu medo agora, tão grande a altura em que estou.
Andei pensando na liberdade que sentia antes do meu corpo ser tomado por uma coisa só... Tive imediatamente uma saudade enorme daquela respiração despreocupada tão cheia de mim, e faltou-me o ar...
Andei enjoada, abrindo e fechando todas as portas da casa como se isso fizesse alguma diferença para quem quiser entrar, como se eu pudesse me trancar aqui e deixar esse "sentir" todo, do lado de fora, só um pouco...
Andei escorregando no meu tom de voz ao falar contigo pelo telefone, matando a vontade dos dedos que te ligam em movimento involuntário. Esquecendo do quanto posso ser fria, agora grito desafinada que te amo, e te amo... Mas esse teu silêncio sempre irá me lembrar alguém.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

(En)canto.

Antes da dor, entre meu queixo e pescoço ainda sinto a leveza do teu sorriso tranquilo de mãos seguras nas minhas. Deve ser por isso que agora a febre vem em forma de insonia, e o corpo sente isso quando aos poucos vou tirando a roupa na procura insistente pela liberdade que só esse momento me dá. Mas nada acontece quando vejo que agora refletida em mim só há tua voz cansada, tão cansada e pesada que o impacto me cobre de cinza, fazendo-me odiar confessar que sou a mesma, e é porquê agora me vês com teus olhos de quem não precisa de ajuda que pareço tão exagerada...
Tenho me arriscado muito, dando tudo de mim para de repente, só mais uma vez me sentir daquele jeito, aquele que só você viu, e me reconhecer de novo, sem ter medo de tropeçar e perder um orgão vital pela estrada.
Hoje é dia 8 e tudo o que verei me fará pensar nos que já foram, no teu jeito de me fazer encontrar uma surpresa boa aqui e alí.
De tudo que já nos aconteceu, tiro de toda dor e felicidade tanta força, que se fosse algo que se pudesse entregar... Ah se eu pudesse te entregar algo mais do que tudo o que sou, talvez você voltasse a sorrir aquele sorriso que um dia me deu.
Sinto-me tão menor em relação a qualquer coisa, que agora te ver indo embora seria como brisa leve me levando para outro lado, viveria o meu tempo a passos rasos, com o corpo fazendo os pés andarem.
Não tenho mais espaço para tempestades e horas brincando de ping-pong com o teto jogando meus porquês pro alto. Quase enlouqueci te procurando em linhas tuas que de tão sinceras me faziam ter mais e mais medo de nunca conseguir viver sem isso.
Mas eu não sinto muito, não tiraria esse teu poder sobre mim por nada desse mundo, porque és amor, eu estaria em boas mãos até se não confiasse em ti.
Das coisas que já te disse, dos meus dias que te prometi, mantenho intacta cada palavra dentro de mim, para se um dia quiseres aquele refugio novamente...
Entre meu queixo e pescoço, agora engulo o que me dói, ato esse que concretiza minha desistência de viver esperando por algo. Na mesma hora, vejo teu rosto que mal toquei, mas que é o que conseguiria desenhar com perfeição mesmo daqui a dez anos, me sentindo com 18 novamente, a cada traço dado.
És a melhor parte de mim, sei que falo isso a cada estação, porém se torna mais verdade a cada vez que me repito.
Amo você, e dizer isso é a parte mais rasa dessa imensidão toda. Mesmo que agora tenhas mais receios, eu viveria uma vida te esperando e amando cada vez mais te amar, só pelo simples fato de entender que essa é a coisa mais real que já tive. Foi o que me salvou, o que me manteve de pé, e estando você do meu lado ou não, é o que vai me guiar sempre, todos os dias do mês.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Tô aí, mas fico aqui.

A menina de chapéu de feltro e pés descalços sai de casa novamente, ela procura pela grama que se escondeu no inverno desse lugar. Procura pelas pessoas que em outros verões a mostraram o que é ter saudade. Faz força para escutar novamente a música dessa cidade, e vai delicadamente entrando no contexto batendo devagar os passos no chão, e descobre-se parte de tudo aquilo.
Florianópolis tem um pouco de cada pouco que ela já teve. Pensa como seria bom se te encontrasse de novo, diverte-se com a ideia de que ainda moras na mesma casa e que logo topariam pela rua de pedra. E as coisas pareceriam mais fáceis como se nada tivesse acontecido depois de vocês. Ela vai dizer que nunca deixou de usar esse chapéu, vai dizer que às vezes pensava em voltar. Será mentira. Caberá a ti escolher o rumo dessa situação. Mas a vinda é sincera, o pedido será sincero, e o choro nunca foi forjado.
A menina sabe que é fácil ficar onde tem esse sol que não dói na pele, só por não estar em casa com suas lembranças grudadas na parede, ri e avisa os amigos que não volta mais. Diz que vai te procurar nos antigos lugares. Naquela biblioteca atrás daquele balcão, entre as grades do parque, no mar de manhãzinha...
Ela será uma companhia triste. Mas nunca se sabe. Talvez terá de esperar mais algumas vidas para estar no lugar certo, ou renascer mais forte e menos complicada, menos intensa. Verás nos olhos da menina que ela não conseguiu, sem saber o quê direito, verás o fracasso em sua boca. E a vontade, a vontade que chegou agorinha de ter alguém por perto novamente, de sentir a pele de fora para dentro, a fará ter momentos da mais pura felicidade. Ela irá explicar-te que foi porque precisava, e que está voltando porque precisa, e você a deixará ficar até que se cure.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Reticências, omissão intencional do que se devia dizer ou não (2).

Tentando encontrar um canto pro meu sono no meio dessa bagunça toda, imagino como seria estranhamente interessante pôr fogo em tudo agora, porque sei bem que só nos queimamos se houver a intenção (mesmo inconsciente) de apaga-lo depois. A cada dia, um novo soco na cara me acorda antes de poder completar qualquer sonho...
Entre as venezianas desse quarto o dia passa, e fico me perguntando onde estão as pessoas que também sentem-se assim quando saboreariam o tempo como uma chuva de minutos, tempestade que assusta.
Entretanto a simples lembrança da tua partida e a promessa da tua chegada me fazem voltar ao meu corpo, onde eu sempre procurei algo que, com certeza, está entre teus dedos, ou nos intervalos da tua respiração... Isso, me encontro em ti, como no tempo em que estás pensando em versos pro meu sorriso, ele já é todo teu.
A minha existência tornou-se um simples detalhe do que representa a nossa ligação e o que o teu canto faz comigo... Por isso estou bem, mesmo com os dias chovendo nossas lágrimas de minutos distantes, poucas pessoas já amaram tanto aponto de não ter medo da morte por se sentirem sempre acompanhadas.

terça-feira, dezembro 29, 2009

Re(criar)-se.

Então acaba logo com esse vidro embaçado meu amor, quebra tudo, cola de novo, porque cada caco vai dissipando aos poucos tua dor.
Esquece como sei que tanto consegues, te livrando dessa régua que agora te mede, porque és tão maior... És tão mais forte que isso minha linda. Guarda na gaveta o livro em branco que era nosso, e sai rabiscando paredes sozinha.
Sei que sabes o que te cabe agora, e em outro tempo eu entenderei também, vai ser quando esse novo universo me fizer ir onde estás, tão além...
É querer saber demais sobre meus medos, agora pensar no que mais tarde vem contigo, mas entre teu pescoço sabes que continuo, mesmo não tendo mais como meu esse abrigo.
Ah meu amor, nem toda palavra é o que o dicionário diz, e não concordo com tudo o que te ocorre, mas antes do fim prefiro ficar por um triz, e dizer, você que escolhe.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

A menina cacos desperta e se diverte com a ideia de ter esquecido as pernas no último bar da noite. Assim pelo menos poderia ter motivo que não gera pergunta para ficar o dia inteiro na cama.