quinta-feira, junho 25, 2009

Entreter. (Entre não e ter você).

Acorda cedo a menina que de tão cansada sorri quando vê que não desfez os laços dos seus tênis. O arrepio costumeiro pede o casaco que ela coloca por cima da roupa que dorme. Seu cabelo se esconde atrás de uma indiferença enorme do espelho. Então são as mãos cegas que os arrumam os desfazendo.
Pensa que poderia muito bem se jogar naquele sofá esperando o mundo se decidir de uma vez, ou sair por aí cheia de passos em falso. Tem uma vontade repentina de ligar pro seu amor, só para que ele não esqueça que ela permanece (e que pensa logo cedo nisso tudo). Mas sem medir consequências cala-se, entretendo o corpo com a escova de dentes ou um papel qualquer para rabiscar. Mas o que não fala fica, menina. Fica como seus laços nos tênis.
De repente silêncio demais assusta, então pensa na sua vida, que é o complicado das coisas mais simples. Viaja em possibilidade, lembra de um certo semblante... Sente-se feliz por ter isso, e tão sortuda....

sábado, junho 06, 2009

Luminosidade.

Lá está.
O vento para de soprar e cria sob as casas aquela luminosidade sobrenatural que vem depois da chuva.
Lá está, como todas as noites.
Escapa da lei do erro.
Existe, enquanto tento provar para mim mesma que aquela beleza pode ser apagada...
Some, some sendo iluminada por sua própria grandeza.
É, talvez se os minutos não fossem tão negligentes, se eles não escondessem nada entre seus intervalos, eu não lembraria com tanta facilidade de tudo o que estava lá, (nada atingirá jamais essa perfeição).
Estava lá, e estava acima de todas as coisas.
Desenho a cena com nanquim. Me disvenciliando a cada traço dessa coisa de denegrir para esquecer o que hoje deixo aqui mesmo, inerte na tela.

quinta-feira, junho 04, 2009

Como o sorriso chegou a ela.

Ela desconstruiu a imagem de uma sala cheia de gente fugindo pela porta lateral, tudo por uma estranha necessidade de manter-se só. Fez o caminho que as duas fizeram algumas vezes, agora sem a imagem do seu amor para ofuscar o mundo ao redor, ela notou cada detalhe. Pensou se ele teria visto isso ou aquilo, se teria gostado, achado indiferente... E parou de andar. Fechou os olhos. Esperou sem pressa. Mesmo com o vento frio de outono cortando sua pele, ela teve febre. Escutou passos e o seu corpo arrepiou-se aos poucos. Mesmo sabendo que isso não era nada mais do que auto-sabotagem. Porque ninguém, ninguém iria chegar. Ninguém iria tapar seus olhos e esperar que ela o reconheça pelo perfume ou textura da pele. Ninguém iria escoltá-la até em casa e contar uma história sobre amores impossíveis de finais felizes, só para vê-la dormir aliviada. A propósito, ninguém está lá com ela agora, enquanto escreve com sua cabeça calculando a falta que esse ninguém faz todo dsia. Mas suas costas esquentam repentinamente, e num suspiro de choro ela diz "eu te amo" sem perceber. Por isso, nessa hora, sorri.

quarta-feira, maio 20, 2009

Escolhe.

  • Levanta o vidro fumê que assim eu consigo ver meu rosto no retrovisor, e ele não me deixa duvidas das marcas dela em mim...
  • - Vamos tirar todos os papéis importantes do porta-luvas e jogar na primeira lixeira que virmos.
  • - Mudando a direção involuntariamente, entrando em ruas que dão em ruas, e jogando fora tudo o que é palpável e ruim.
  • Não paro de tossir, e você acha engraçado o modo como meu cabelo mexe quando espirro. Não paras de rir, e acho lindo o fato das tuas mãos suarem quando teu nervosismo não se sustenta mais sozinho....
  • O muro de repente parece uma escolha silenciosa e mútua. (Nos embriagamos na certeza de estarmos pensando a mesma coisa).
  • - Não poderia ser assim, eu escreveria antes.
  • - E de que adiantaria isso aos outros? De que adiantasses até hoje?
  • Recitas para mim estrofes de poemas que nunca lesses. (Tentas me manter a flor da pele, para que a excitação da velocidade do carro não suma junto com os meus olhos distantes de tudo).
  • Rindo de certezas doloridas sobre mim, e ironizando teu passado sério, não nos cansamos de montar e remontar nossas vidas em voz alta.
  • - Lembrarás da voz dela e os caminhos na tua cabeça sempre te levarão para essa mesma sensação.
  • - O que se faz nos dois últimos minutos em que se vive? (...)
  • Estacionas.
  • - (...) É. Pensa-se nas consequências.

sábado, maio 09, 2009

"Por você, por ninguém, nem por mim."

Poderia falar agora, sobre as ondas que vem e vão de socos contra o meu próprio queixo. Fazer uma descrição exata da corda bamba em que ando, tropeçando aos poucos nos nós que preparei antes de erguê-la... Mas prefiro explicar logo esse meu estado meio amargo por outros meios que não te confundam.
Lembro de chegar em casa e ver a cama desfeita ainda com a marca do teu corpo, e o cheiro que ficou por dias não me deixava cair na realidade. Essa mesma doce agonia, me fez em vários instantes ficar com medo de olhar no espelho ou tirar uma foto e ter um fundo vazio de você.
Sentindo-me instável demais para olhar por cima dos fatos e calcular soluções, caí em cima delas e afundei-me em mil caminhos. Talvez hoje com isso tudo, eu venha a esquecer dessa coisa doida de como fazes falta, enquanto estás aqui.
Fico a espreitar-te na janela também, olhando o céu, imaginando que a árvore no centro da janela deveria ter teu nome, tanto que te vejo lá. Talvez logo me apaixone por ela.

quarta-feira, abril 29, 2009

"All is full of love".

Daqui desse muro, consigo ver as ruas se interligando e as luzes dos faróis que deixam rastros escuros. Por onde você viria?
Escuto passos de gente que chega sem falar, e gente conversando tão alto que o som ofusca qualquer outro. Mas você não, virias silenciosa, talvez saindo de todas as ruas, de todas essas lojas e bares, de dentro daquela casa azul, atrás daquela moça dos óculos vermelhos... Nessa noite isso é completamente aceitável. Na verdade não sei como ninguém mais te vê vindo de todas as direções... Ou então por que todos se apressam? Não tem sentido te procurar em locais específicos, sendo que é só olhar mais de perto cada detalhe ao redor de si.
Não me angustiaria te esperar a noite toda - já o faço - é que sei que virás, sei que virás...
Aperto forte contra as mãos o livro rosa que você me deu, e sinto que estás chegando, e que ninguém duvide, porque eu sei que em um minuto, uma hora, ou um ano, você estará no lugar do livro, e eu não olharei para direção nenhuma a não ser para mim, dentro de ti.
Por enquanto, te sentindo e te vendo em tudo sem motivo concreto a não ser a personificação do meu amor, e mesmo que as linhas do meu caderno sejam boas ouvintes, me pergunto baixinho: "Por onde andas, Mariana Tavares?"

terça-feira, abril 28, 2009

Escrito em algum dia de outubro.

Você, que insiste em manter segredo sobre coisas sórdidas e acaba se escondendo dentro do que mais lhe torna especial para alguém... É a mesma pessoa, que sente tanto medo de perder que acaba matando aos poucos os rastros de fora para dentro. Acaba desligando o telefone porque a pretensão que ele toque vai te fazer mal. Pagando agora o preço por se manter inerte quando precisaram do teu movimento.
Você, teve que modificar tudo, e não foi difícil. Eu pelo quarto, sombras na parede, os cds que têm que ser trocados toda hora ou o silêncio do vazio que havia entre nosso toque seria evidente demais... Tudo completamente destrutível, - para ver que não sou um mal irremediável -.
Mais tarde com certeza vão te dizer que era um caso sério de amor não correspondido, e só isso. Passarão a não ligar para sua aspereza e indiferença vista a olho nú por questões emocionais. Perguntarão por diversas vezes, se já te desfizesse das minhas partes sólidas em tua vida, e aí então te dirão que todo o resto passa, e é isso, acaba-se nisso. É o fim que de começo esperavas, é a mentira que nos contamos sendo dissipada na parede agora, aquela parede que fiz questão de pintar de novo, para que nada do que tivemos, escape e me toque novamente.

quarta-feira, abril 15, 2009

Em nenhum outro lugar.

Eu sei que o vento fininho vai desintegrando o que sobra do meu existir, e de mim, lembras cada vez menos. Ah se soubesses o tamanho da tormenta que acontece mesmo em dias calmos, que faz tudo ao meu redor flutuar até bater rápido contra meu corpo, se eu pudesse te contar meus anseios sem que pareçam tão pequenos... Não, existem mais coisas nos intervalos de letras batidas do que o que acaba sendo escrito, coisas pequenas que cabem na palma da sua mão, é só olhar mais de perto.
Eu vou te dar a mão, sem intenção de repentinamente largar, esperando uma resposta dos teus olhos. Demora para saber assim o que alguém precisa, e como se desculpar do modo certo, por isso é uma pena que marcas passadas fiquem tão nítidas em mim agora. E não adianta correr, existem correntes que duram kilômetros. Essas que se você olha para trás e ficam mais resistentes, e se tentas quebrar o sangue e a dor só te fazem lembrar que vives com isso em suas costas, e pesa.
Mesmo vendo em você minhas novas ações, a calmaria, uma estrada mais curta... Ainda não escapo de ser puxada pras velhas escolhas, pela corrente que marcou o corpo e segue ele. Essas são minhas estúpidas defesas contra quem não é inimigo. E ver que não acreditas, continua sendo minha parte de vidro...

terça-feira, abril 14, 2009

Hoje é arriscado demais...

sexta-feira, abril 03, 2009

Toltchok.

Agora me diz, vou ter que colocar todas as coisas para fora de novo? Ah não fosse teu desejo inquieto de fazer-me entender-te, até pensaria que de caso pensado querias parecer mais viva enquanto morta.
Essa criança que não entende bulhufas de desde sempre não ser considerada uma parte da tua existência, não existe. Então me diz, onde empilho as minha tentativas de sempre te incluir no que não queres fazer parte? Em que lugar longe desse teu egoísmo as coisas se compartilham e a preocupação teatral não enoja ninguém? Não sabes, justamente porque nunca sabes nada sobre verdades.
Meus anos sem a tua presença física faziam arder cada vez mais a ideia de ficar atenta a todo ensinamento posterior que viria de ti, quando teu corpo se fizesse pseudo-presente. Não arriscaria conter traços de toda essa frieza, sabe? Não sei onde foram parar minhas noites planejando rotas de fuga dos teus abraços... Só que os anos passam... E sei que me dediquei a uma miragem perfeita do que nunca tive. Mas você sempre vem e dá um jeito de lembrar o que me policiei por tempos para não esquecer, que o corte é mais fundo onde nada foi realmente perfurado.