segunda-feira, outubro 03, 2011
quarta-feira, setembro 21, 2011
- Falta um dia, certo?
- Um dia pra quê?
- Pra qualquer coisa na sua vida, sempre falta um dia. É triste.
- Certo, é triste.
- E como esse dia nunca chega, posto que é a falta dele que o torna concreto na tua mente...
- Amanhã faltará mais um dia...
- Quis dizer que ele não existe.
- Então...
- Então não falta nada.
- Malditos espaços em branco.
quarta-feira, agosto 24, 2011
Prazer, meu nome é...
Ao longo dos anos dei vida a olhos que enxergam só o meu mundo, e não achei que algum dia fosse ver cores novamente. Precisava superar a fenda ainda encoberta de dor, entre a criança que nasceu sem nome e quem sou hoje. Não suportando mais olhar para dentro e transparecer a escuridão em tudo que vejo, peguei na tua mão e comecei a esquecer o que queria entender. Encostei meu rosto no teu e comecei a acalmar minhas pálpebras para acostumá-las com a tua luz.
Invadistes as horas em que fico de olhos fechados achando me reconhecer, e é tão silenciosa e cheia de dúvidas minha escuridão que acaba sempre em um círculo de respostas inconclusivas (que agora não fazem mais sentido)...
Não sabes, mas divido o quarto com um espelho que nunca me viu, e hoje pude reconhecer, pela primeira vez, uma parte minha nele... Era teu rosto iluminando o quarto, e eu não consigo pensar em mais nada depois disso
segunda-feira, agosto 22, 2011
quarta-feira, agosto 17, 2011
- Agora volta a dormir, que estou aqui...
Encontrando um lugar só meu entre teu pescoço e teu ombro, falei sobre amor nas palavras que foram surgindo em forma de toque.
Fiquei por meses desenhando na tua vida o meu rosto, e agora vê-lo no sorriso dos teus dias é como me sentir sempre em casa.
Conversando contigo fiz questão de falar devagar para que entendesses aos poucos que as flores que saem da minha boca demoraram uma vida para ter esse perfume que só tu consegues deixar fluir... E para que notes que nada a meu respeito virá de outro jeito a não ser assim, sentindo sem muita explicação, natural como abraçar alguém depois de um pesadelo...
Tento te dizer em meio a todo esse conjunto de palavras que falham e aos meus tímidos silêncios, que hoje sou essa saudade que aparece nesse texto, no meu abraço, enquanto sigo meu dia, toda hora... Mas quando teu sorriso procura meu rosto para se mostrar reflexo dele, lembro do quanto tenho sorte em sentir saudade de algo tão seu, tão meu...
quarta-feira, agosto 10, 2011
Vento seu, dentro dela.
- Difícil ter para onde correr quando faz frio em toda a cidade...
Repetiu a frase por anos, e por isso ela sempre esteve de partida. Nem o eco das mil vozes gritando seu nome poderiam reter os passos que não precisavam encontrar um caminho certo, só continuar em movimento...
E o que é isso agora? Essa calmaria toda... E eu, que sou ela, fazendo as pazes com o silêncio...
Hoje, encostando a palma de uma mão na outra, ela assopra devagar entre elas, e sente o calor que consegue reter dentro de si. Sorri pro mundo como se estivesse pronta para algo grande, como se não faltasse nada a ser dito, ou como se tivesse parado de procurar explicação pra tudo.
Ficou ali, sentindo o vento quente que saí da sua boca, imóvel, concentrada nos dias que havia perdido correndo tanto, buscando eles de volta, agora que sabe, sempre existirá um lugar que o inverno não pode tocar.
domingo, julho 24, 2011
quinta-feira, julho 07, 2011
O inverno mais quente e o mais frio.
Esse é o inverno mais frio de propósito, e acumula tudo que é indispensável no teu abraço fácil como respirar.
Tremo para escutar teus passos quentes vindo até onde estou, e te chamo para ver no teu sorriso todos os traços que descrevem um “sim”.
Faço perguntas em silêncio que deixo tua boca responder, também sem voz, conversando com a minha noite a dentro.
E eu que descarrego milhares de explicações por uma lágrima que aconteceu, virei só silêncio e sorriso, nossos silêncios e nossos sorrisos...
sábado, julho 02, 2011
Quando o tempo voa e a gente não envelhece.
Existe um descompasso cardíaco que abriga toda a escuridão no peito dela empurrando cada vez mais pro fundo.
Lê o que lhe escreveram e não sabe que horas são mesmo querendo tanto ver o tempo passar... Logo pensa em fazer de conta que se conhece, que as explicações das palavras no dicionário fazem sentido, que nada dói sem motivo (acaba chorando escondida dela mesma).
Então fechou seu tribunal de pequenas causas não sentindo o mesmo entusiasmo por mudar alguém, ficando literal demais parou de poetizar um mundo que encantava os que conseguiam vê-lo.
Por fim encontrou uma carta que não saiu do rascunho, uma indicação de livro que não leu, algumas falas de filmes que nunca viu, e jogou tudo fora apagando novamente as luzes. Agora que não se vê mais nada no quarto acha engraçado sentir-se protegida, como se estivesse dentro de si, como se não precisasse tanto entender concretizando, como se fosse fácil sentir sem contabilizar... Mas lembra: "O tempo voa e continuo não sabendo que horas são", e isso faz do mundo silêncio e insônia.
Sabe-se que ninguém perguntará porque seus olhos estão fundos, ou porque anda mais quieta... E eu sei, que às vezes a falta dessas palavras é sua dor invisível.
domingo, junho 26, 2011
Pressa.
Ela jogou o rosto contra o meu e fez esses dias claros virarem noites temporárias, deixando as promessas para quando tivermos fôlego. Encontrou em mim uma fome que tenho de fazê-la perceber o quanto a quero distraída pra surpreende-la, e assim me viu por dentro.
Todas as palavras de agora que tem o tom de sua voz, saem da minha boca quando pareço saber sobre o que falo.
Não posso deixar de sentir essa estranheza de tê-la encontrado em mim antes de vê-la com esses olhos de agora (esse é de todos os invernos, o mais doce).
Existe uma calmaria que não nos cabe a dúvida de estarmos esperando um tempo mais frio, para que o mundo gélido de dois corpos seja além de doce, certeza quente num abraço daqueles refúgios literais.