quarta-feira, junho 06, 2012

Choices.

-Voltando a caneta pro papel, os dedos nas cordas do violão, ouvidos na música, pés no chão sentindo o calor da terra... Penso que estou viva.

-Estou viva com os dedos no papel, ouvidos nas cordas do violão, voltando a caneta à música... Mas o calor da terra me faz pensar:  "Pés no chão".

-Pés no chão, calor de música, dedos nos ouvidos...Voltando à terra penso em caneta e papel, e logo estou viva nas cordas do violão. 

segunda-feira, maio 28, 2012

Não me arrisco a perder qualquer detalhe do que preciso para ter-te quando não estás por perto... Assim atravessas uma porta e eu não posso deixar de perceber o movimento das tuas mãos que logo procuram pelas minhas. Andas pela rua apertando a alça da bolsa, me olhas no compasso certo enquanto teus cabelos vão conversando com o vento, e sorris de repente. Pergunto no que estás pensando, - interrompendo o fluxo espontaneamente perfeito do teu corpo - dizes que não é nada, e teu rosto me responde a pergunta num silêncio de expressões gritantes.

- O vento que sai da tua boca quando falas é como se fosse uma parte minha, como se tu soprasses meus dedos que guiados por ti, escrevem essas frases deixando fluir os sons que estão escondidos no nosso abraço... -


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Acordas permanecendo imóvel, e o pouco de luz que entra no quarto consegue refletir teus olhos sonolentos pedindo por mais tempo de descanso. Não consigo deixar de notar cada traço da cena, e sabendo que jamais me livrarei dessa lembrança sorrio de repente. Perguntas no que estou pensando, digo que não é nada... E logo respondo-te com um beijo pedindo para ficares até quando for possível, mas dando-te a certeza de que essa cena é eterna mesmo quando existir a ausência de nós duas.

sexta-feira, maio 25, 2012

Continuas dançando entre os pensamentos que me mantém acordada... Como se uma certeza de felicidade cobrisse meus olhos formando um muro que não deixa mais lágrima nenhuma cair. 
De repente, tanto silêncio nesse quarto me assusta. E a chuva de hoje é a prova do que tuas palavras de solidão fizeram com o meu mundo. Essa chuva sou eu, derramando água triste pela cidade toda, lavando cada lugar onde passarás amanhã para te mostrar de que nada vale nossos passos conjuntos se não estiveres feliz como eu.

Enquanto dormes e eu deixo o barulho das gotas embalando teu sono, torço para que acordes tendo a certeza de que nenhuma chuva, mesmo forte como essa, apagará teus traços da minha pele.

sábado, maio 19, 2012

Reorganizando os pensamentos desse mês, explicando uma metáfora por outra, acabei encontrando mais de mim no que deixei de te dizer.
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Quero entregar-te hoje, todas as reticências que cabem no meu silêncio...

terça-feira, maio 15, 2012

Jura que vais ter dúvidas de que isso é teu?


Hoje tornou-se inevitável a antiga hiperatividade com o controle remoto, procurando entre um canal e outro uma resposta cabível para essa vontade que em mim já não cabe mais... 

Corto-te em vinte pedaços à medida que vou trocando de canal, e os junto novamente fechando os olhos. Mesmo assim, ainda não consigo encontrar quem realmente és no meio dessa escuridão toda. 

Confrontando-me novamente com o mistério de conhecer alguém, percebo o quanto isso ainda me assusta.

Lanço-a através das páginas do meu dia, claro. Mas pensava que ela ainda não estava realmente escrita, até alguém ver seus traços desenhados no meu rosto. Desenhos dela em mim, que explicam melhor do que qualquer metáfora que eu venha a desenvolver, o quanto estamos juntas.


Quero que ela saiba que escrevi um novo roteiro de viagem... Seguirei pelo caminho do tom da sua voz que me levará até a escuridão do que ela é, para que eu construa uma morada. Logo eu não estarei lá para descobrir onde estou no escuro, e sim porque coberta de luz ela deve ser ainda mais linda.

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Calo-me diante da tua voz, retribuo teu abraço jogando-me dentro do teu corpo, te beijo prometendo não fugir na hora em que essa escuridão esclarecer-se em luz, e sempre que te olho, é isso que estou dizendo com meu sorriso.

quarta-feira, maio 09, 2012

You liked your cocaine chaser...

Cinco anos e ainda é a mesma canção que te traz até mim... Fingindo não me importar com toda essa burrice de ter me preocupado tanto contigo, quando te imagino estás dormindo. É o único jeito de não doerem meus pés no chão quando voltas e achas que estou feliz por te ver, e na verdade estou só me situando em que parte está a história de sempre que começa e termina, repetindo-se idêntica ao longo da tua vida. 

Não caminhas ao lado de ninguém, garota. Tropeças nas pessoas empurrando-as para longe, e esse é teu único momento de contato maior. Embarcas nesse teu plano de mundo em que todos os seres inferiores a ti precisam entender o que a tua grande sacada da vida já te ofereceu.

Mas ninguém é cego como pensas, o mundo te virou a cara por pena desses teus olhos mentirosos. 

quarta-feira, abril 25, 2012

You answer to a new name that changes all the time

Essa garota me pede para que eu pare explicar sobre a brisa que passou e a sopre dentro de suas mãos, me deixando sem fôlego para tal coisa. Cobre meu rosto com seus cabelos e jura que além dela, ninguém no mundo me vê.  Escreve o seu lugar no meu corpo com suspiros, circula pela minha vida deixando livres os caminhos pro que eu quiser lhe falar. 

Essa verdade só nossa, escolta meus passos riscando um sorriso na minha boca mesmo quando não posso toca-la. 
As palavras mais bem escritas não a surpreendem, não a intimidam... E isso me fez esquecer das antigas frases feitas, assim tremo novamente.

Segurando minha mão, sem uma palavra ela se apresenta. Encostando seu rosto no meu ombro ela me dá todas as certezas. E assim dialogamos...

- Já percebeu quantos "eu quis" , "eu ia" , "eu pensei", você já me disse? Melhor nem falar nada...

E me calo diante de tanta espera por versos em atitude.

Garota, sem as palavras, sou só eu... 

segunda-feira, abril 16, 2012

One face among the many

Vamos para casa antes que chegue aquele vento frio que faça esse silêncio ficar ainda mais desconfortável. Vira logo essa chave, ou posso te pedir para ficar do lado de fora entre as coisas que não são tuas. 
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Essa noite enquanto cobrir-te de um calor que não é meu, e encorajar-te de palavras que não saem mais da minha boca... Sei que tuas pálpebras sonolentas esperarão encontrar outro alguém, e que entre a gente toda terrível frustração do dia virá em forma de sorriso. Deixo-te viver livre desse discurso que não cabe mais no tempo dos nossos dias que não se encontram.
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Mas meu bem, escuta essa música que vem da outra casa, essa felicidade que entra pela janela enquanto nossos corpos se retorcem em solidão. Nessa hora tudo parece tão possível...

quinta-feira, abril 12, 2012

Congelo-me hoje das coisas que são nossas, e do meu desejo de cair e pedir para que me levantes, sabendo que levarei uma vida lembrando-me do teu rosto na esperança de ter esquecido algum detalhe importante que talvez a ausência me faça seguir em frente.


domingo, abril 01, 2012

- Chamavas ela, eu conseguia ouvir.
- Eu sei.
- Gritavas às vezes.
- Nem me lembra.
- Sou só uma voz interna, mas ando preocupada com nós.
- Eu sei.
- Ela vai embora, é o último aviso.
- Nem me lembra.
- Acha-te muito especial. Mas não és.
- Eu sei.
- Agarra-te na ideia da morte pra não ter responsabilidade de ser feliz em vida? Quanta covardia.
- Nem me lembra.
- Eu não estou lembrando nada, para de te repetir como quem pede desculpas. Sabes que esta conversa só acontece porque você pensa nisso.
- Eu sei.
- Então mexa-se.
- Mas eu... Nós... Temos tanto medo.
- Eu sei. Nem me lembra...