terça-feira, julho 15, 2008

Substituição de sentidos pelo que foi sentido, ou o que faz sentido.

O que me tranqüiliza é ver com precisão absoluta onde acabo me repartindo. Quando vejo minha boca falar o que não vai ser escutado enquanto penso no que deveria mesmo ser dito, eu tenho a certeza disso.
Sei que com os ouvidos não deixo passar nenhuma frase sem cada palavra ter significado concreto, por isso não entendo por qual motivo minha boca cessa e se cala diante de verdades irrevogáveis.
Preciso é de mais atenção dos olhos que se escondem, fazem de conta que estão abertos, mas são tão vagos quanto a voz que saí da boca mentirosa.
É um desvio de olhar, uma frase que já começa trêmula e incoerente, dentro de uma mente que sabe o que precisa dizer, mas diz o que deve.

terça-feira, julho 08, 2008

Cada história, um pouco de ti.

Um quarto fechado, meio sonolento e fraco, o prazer é todo meu em quebrar o silêncio com a persistência de minha escrita rápida. O suor da sinceridade escorre, passo as mãos sobre meus olhos, elas estão anestesiadas agora, são fragmentos seus tomando conta de todo o meu corpo. Teus olhos, meus caminhos, tua boca, onde me perco, tuas mãos suaves, de tão anestésicas não deixam a sensação passar nunca após um toque. Teu corpo me cobre do refúgio que sempre procurei, sempre precisei, sem o qual agora não vejo mais razão em estar no mundo, já que meu universo cabe com folga no nosso beijo. O agrupamento dos dias, faz mais forte o sentimento sem razão. É tanto estar com você, apertar seus ombros esperando uma resposta do pescoço que se inclina à espera de mais cinco minutos comigo.... Depois percorro seus cabelos, e eles não me mostram direção, desorientando todo o meu corpo. É nesse momento que eu me movo tentando superar o vazio que existia dentro das minhas veias. É tanto, que eu não sei o quanto. Minha cabeça se move conturbada com tanta saudade inundando todos os meus órgãos, tecidos e ossos. De você não consigo me esconder. É amor, e dá medo só de pensar que é igual aos filmes.

quarta-feira, julho 02, 2008

Senso de direção.

O que escuto junto com as teclas apressadas por compreensão escrita, é o que me deixa simples e só, e isso basta. Uma prova a mais de que o completamente aceitável está dentro da linha de trasição entre o certo e o errado, o que me faz reter o alívio de continuar sendo eu por alguns dias.
O rosto agora descoberto e repleto de um não-significado, de tão puro e simples faz entorpecer qualquer idéia de toque. Tem coisas que te emocionam só com o que aparentam ser, não sinto mais a vontade de possuir, ou tocar eternamente.
Sinto sim uma fuga rápida para o canto esquerdo, um tempo barato para o que se diz importar, um jogo fracassado de quem perde primeiro.
De repente o que pesa não é só o que eu levo comigo, mas o que me retém dentro do lugar. O árduo esforço para me mostrar esforçada...
O trabalho sem recompença, de pensar mais para a direita porque te ordenam, fora da minha rota esquerda, da minha segurança de não confiar, da minha insistência de me manter só.

segunda-feira, junho 02, 2008

Displicência.

Para sua segurança, desacelerou seus passos, acalmou sua voz, engoliu seco e fechou os olhos.
Para sua vingança, impediu-se de chorar, não descansou mesmo com todos os ossos doendo e tirou o casaco.
Para sua rendição, estendeu o pano branco na janela, destrancou a porta e ficou de pé sem pretenção de correr.
Para sua possível cena decadente, colocou um lenso no bolso, tirou de perto os objetos de valor e cortou o fio do telefone.
Para suas falsas desculpas, fechou a boca com fita adesiva, esvaziou a mente e esperou sem pressa.
Para sua raiva, mordeu os dentes forte, fechou suas mãos apertando até sangrar e respirou fundo.
Estava pronta, desarmada, sem ser ela mesma, ridícula e inútil.
Esperava por alguém que viesse com palavras em atitude dizendo o que ela precisava escutar berrando, já que de tantos sentimentos ensurdeceu-se.
Aguardava as críticas sem pensar em argumentos, quebrava o que já estava trincado por tanto tempo sem gritar.
Não esperava mais entendimento, não esperava mais a atitude sincera, não esperava nem de si mesma ser o que é.
De tão sozinha, a dor doía mais e ela alimentava isso pronta para explodir, bomba relógio que se tornou.
De tanto medo, não teve vontade de se soltar da corta que teceu, imóvel por opção.
Para a sua vida, estendeu a mão até o peito e tirou o pouco que restou, esperando viver com que ainda se consegue aproveitar de um corpo em sofreguidão.

segunda-feira, maio 05, 2008

Se eu não falasse tão baixo você não escutaria.

Hoje não posso medir palavras, até porque a borracha já se foi, com medo de borrar minha sinceridade em dizer que estou realmente arrependida de não gritar. A tinta da minha caneta pode sentir a dor do grito contido por entre o plástico e os poros da minha pele. Aperto ela forte até minha garganta abrir. Susurro com o olhar que de repente eu posso desistir de escrever, mas acabo desabafando com o papel até meus olhos secarem. Fujo de mim e me esqueço esclarecida. Tomo uma dose a mais de dor renovada e despejo o vômito em linhas confusas. Espero que os borrões mostrem as partes que eu não soube esconder direito. E que as vírgular não colocadas, demonstrem o quanto corri para tentar me envolver em algo que sei, perdi em algum lugar em que nunca estive. Naqueles lugares em que me imagino sempre só.
O outono desse ano explode para mim como um canhão de palavras ásperas, doloridas e sangradas. A verdade é que preciso de mais tempo para não querer mais tempo. Quero mais liberdade para me aprisionar. Preciso cair no chão para ter novamente vontade de voar. Gostaria de ter de novo a angústia de caminhos errados e vida confusa para engolir e digerir a perfeição que vem com você.

segunda-feira, abril 14, 2008

The 4 strangest months.

She wakes me up to ask if I'm asleep. One minute past and I need some cigarettes.
I don't have a social life in the bed, but she don't care. (- Can we stay in bed all day? - I tried to act as if I didn't want to get out).
I only gonna live what I learned in 4 months: sentimentaldrunk-heartexplodingwithlove-tryingsohardtoholdon.
Well, I did the things you said to do. But I ever saw your point of view. (I sick of live in love)
I dreamed of some kind of perfect life and I never even realized what it was. And I still wake up with a smile on my face because I've invented my own truth. It's a feeling inside that words just can't describe...
My friends all say that I'm crazy and they're probably right, but nothing's gonna turn me off of my decision...
She's a time bomb, but I need someone here for a change. She's a time bomb, but I need somebody here to annoy. She's a time bomb, but I need someone to talk during. She's a time bomb, she's a time bomb, and I can't say that I didn't know this.

segunda-feira, março 24, 2008

Dúvida anestesiada.

Meus pés estavam frios, mas não congelando como as gotas de chuva fazendo meus olhos se esquivarem delas e das outras, que haviam dentro deles. A pedra por estar tão perto do abismo parecia longe da realidade do que realmente aconteceria. Eu não iria mais à frente, pelo mesmo motivo de odiar parecer tão sentimental, um desequilibrar dos meus passos e o som do último violino viraria harpa seguida de vozes familiares. Isso não era necessário, mas essa dúvida constante sobre a pedra, meus pés e os passos era o que eu queria.
Mesmo sabendo a resposta de meu corpo inérte ao mar, minha mente me levava a sentar e pensar a respeito. Enganando a si prórpia, imaginando que quem avistasse a grande pedra agora, pensaria que é um caso sério de amor perdido. Talvez encontrado, e intenso demais para quem molha toda a roupa de chuva sem se importar, mas fecha os olhos antes das gotas de dentro saírem.
Por vezes eu pensava nos sentimentos dos abismos anteriores, e como a dúvida dos passos fazia menos sentido. As conquistas eram mais valiosas que os passos.
Olho para meus pés e eles já estão quentes, a tormenta congelante se foi. E antes de pensar em qualquer coisa, ainda de olhos fechados vejo folhas e um all star branco, de um dia em que os passos iam em busca de um abraço. E que as lágrimas salgadas como a água do mar que trouxe a dúvida, estavam lá dentro pulsando felicidade, assim saindo e lavando todo o rosto mascarado de sempre, sem mais conquistas, porém conquistado.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

É para não acreditar, acreditando estar certo porque mais te convém.

São cacos, fragmentos de conversas sólidas derretendo com a chegada da noite.
São frios, amigos que trazem consigo a luz que esquenta os pés quando a ressaca é moral.
São negras, as vestes que vestes tentando dizer algo claro que compence sua falta de vocabulário.
São fracos, os sons das vozes que de tanto rodiar meus medos acabam se perdendo por entre minhas esperanças.
São brilhantes, os óculos que me obrigaram a usar protejendo as idéias vermelhas e embassadas que são parte de mim.
São vazios, os tubos de ensaio cheios de memórias novas que me deram, mantendo esquecido o meu vácuo insano.
São dolorosas, as palavras que me acariciam cuidadosamente, com a verdade sincera acabando comigo.
São de ferro, as passagens de dor para calmaria, de vício para ilusão, de noite para dia.
São de fumaça, os sonhos concretos que acabam sendo reciclados a cada estação.
São de verdade, as mentiras que já contei com os olhos quando eles revelaram mais do que eu deixaria.

domingo, fevereiro 10, 2008

Como eu te amo...! (Como eu te amo?)

Talvez seja mesmo impossível acabar com essa condição humana de ser sempre compelida a encontrar alvos fáceis para prejudicar, tentando preencher tudo aquilo que já é vazio à tanto tempo por dentro... Esse vazio andou comigo sempre tão intenso, que agora a falta dele me faz sentir as batidas do meu coração quando fecho os olhos.
Eu preciso dizer o quanto finalmente estou vivendo, vivendo! Engraçado que além da superfície sempre moldável do meu corpo, o que havia por dentro foi tratado com tanto apreço que definitivamente nunca será igual.
Mesmo que todos esses bons ares retornem ao seu lugar de partida e o vazio volte, a cicatriz de já ter sido tão feliz vai afugentar qualquer chance de não querer sorrir. Acho que poucas pessoas sentem isso, essa neurose toda por estar tão feliz e não saber o que fazer com todos esses sentimentos novos.
Te amo assim, mudando por sua causa. Te amo abraçando você como se fosse o que preencheu o vazio que me fazia tão mal. Te amo prepotente, no meu mundo de palavras decoradas, perdendo todas elas quando te vejo vindo em minha direção. Te amo transformando você em noite só para ver o meu dia clarear em seus braços. Te amo com as cores voltando a fazer algum sentido . Te amo como acho que se deve amar, tão puro e sincero como acho que seve ser o amor.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Ana, seus sorrisos e seus olhares.

Com um sorriso para cada momento, Ana tem a expressão mais clara no rosto mais bonito que já conheci. Quando sorri e fita o seu olhar em mim, entrelaçando seus braços sobre meus ombros, eu sei que ela sentiu saudade. Se tira o cabelo da face e revela um sorriso de aceitação, de pura felicidade, meu coração se enche da mesma felicidade misturada com a paz que esta cena me traz. Porém quando o verde de seus olhos se ofuscam com lágrimas do que a corrói, sua boca se cala e começo a ter febre. Quando se sente protegida, fecha as suas pálpebras bem forte, e enquanto sorri de boca fechada, eu acabo por suspirar sinceridade antes de dizer que ela me mudou. Ao entregar seu corpo por completo em uma emoção imensurável, Ana se transforma em verdadeira e infinita beleza. Ah Ana e seus sorrisos, ah Ana e seus olhares...