terça-feira, setembro 18, 2007

Oposto, inverso.

Acabo sempre comentando sobre as luzes do momento. Acho que elas são tão importantes para mim quanto ele próprio. Mas hoje escrevo de olhos fechados. Na escuridão de meus pensamentos, te sinto melhor. Como se eu também pudesse ficar, sem esconder-te de ninguém, em um tempo sem medidas.

Sendo atenta a cada mudança de sua face, não existe nada que me distraia. De olhos fechados, prometo a você que posso ser assim todo o tempo que me desejares por perto.

Depois de reconhecer-te entre as pessoas daquele lugar, nada mais precisaria ser dito, e não foi.
Literalmente andei quilômetros para te ver no outro amanhecer de meus devaneios. Procurando confirmar se o que tinha acontecido não fluía só de mim. Minha foto em suas mãos, logo na chegada, me liberta de qualquer dúvida vã. Esqueço de meus anseios costumeiros e me desprendo de auto-defesas. Só preciso de mais daquela escuridão.

Hoje o contentamento toma conta de cada gota de sangue minha. Porém penso em dar dois passos à esquerda, para que você acabe se distanciando também. Talvez não, com certeza qualquer disparada em direção contrária agora seria válida. Enquanto sozinha fico nessa claridade toda, é tempo de fechar os olhos para decidir.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Antes de dormir.

A raiva corta minhas retinas fatigadas pelo esquecimento. Desce até meu peito e cobre de cinza meu coração. Mas meus ombros pesados se perdem na leveza do seu piscar de olhos. Penso que poderias muito bem ser assim para sempre.

De repente tudo o que foi dito foge do contexto certo, e o indiscutível nível das gargantas doendo faz com que nos afastemos.
A distância nunca combinada, faz do passado o ponto de partida. Das angústias, obstáculos insuperáveis. Do medo, a corrida contra não se sabe o que. Do futuro, lembranças vagas do que poderíamos ser.

Por entre as árvores continuo vendo o sol se pôr, todos os dias. Fechando os olhos e só abrindo na escuridão. Comparo o fim da tarde com você.

Erguendo minha mão na esperança de secar uma lágrima tua, toco o vazio, nada me responde.

Vou dormir com a noite testemunhando cada gesto meu de tristeza.

segunda-feira, setembro 10, 2007

'Ação' ou 'resultado de ação' : acolhida, acometida, batida, despedida, fugida, ida.

Recordo, fumaça subindo até os olhos, ajudando as lágrimas caírem.
Todas as mágoas e angústias secretas lhe ofereci.
Ficou no ar uma resposta que não faço questão de escutar.
Olhei pela fechadura do quarto escuro que criei para mim. Lá estava você. E de tanto te olhar, a chave acabou se perdendo em teus cabelos. Procuro por ela atordoada, porque sempre recordo, sei que vou ter medo de sentir saudade do que não tive.

O silêncio continua, e vem de todos os lados. Imploro por um pouco de barulho, uma chance de  me iludir, um plano fácil.

Não havia outra pessoa ali, a não ser a pessoa indo embora. Justamente essa identidade insubstituível tinha desaparecido e eu não podia de modo algum trazê-la de volta, fazer com que começasse a voltar.

Não havia nada que pudesse preencher aquela imagem formada. Enlouqueci com pleno domínio da razão, a cada passo que ela se distanciava.

Tempo de chorar. Um choro fraco, um pedido de socorro para que se partisse o gelo em que toda a cena se imobilizava mortalmente.

Recordo, seus detalhes só de ida.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Eis senão quando...

Ela está no tom errado, mas é bela. Não se pode dizer exatamente de onde vem. E depois pensa-se que só pode ter vindo de outra parte, de muito longe. É feita da mais completa perfeição, no rosto e no corpo, de modo que tudo o que a toca logo participa, infalivelmente, daquela beleza. Mas está no tom errado, do lado oposto, vigiada esporadicamente pelas luzes passando. Ela dança. Se confunde com as pessoas e passa a dividir sua beleza de forma errada. Noto em sua voz a clareza da ironia. Olha ou não olha, agora tanto faz. Passos falhos e atitudes incertas vão desbotando minhas deduções. Riso forçado à esquerda, abraço falso à direita, dois passos a frente, eis o bar. Ela rodopia em volta do seu mundo, achando ser verdadeiro. Acaba com todas as vontades, gasta tudo e solta um último olhar. Não quero a compreender, nem tentar aceitar nada. Não é minha preocupação. Interessante mesmo é que ela não vale o chão que pisa, mas é bela, tão bela...

segunda-feira, agosto 20, 2007

Ermo.


Saio conturbada com a mesmice de meus versos falhos aos seus ouvidos. Canto por entre as estrelas que o fútil das pessoas começa a me incomodar. Pulo por entre as pedras e mergulho em um mar de faces estragadas, de cérebros falsificados, gestos com prazo de validade... Refugio-me dentro de mim, mais uma vez. Você se vira e pede o que estou pensando, digo que parei de pensar.

domingo, agosto 19, 2007

Garota.

É garota, por mais que em um raio de 50 quilômetros ninguém confie em você, estou aqui para arriscar. Dizia a voz insistente enquanto eu contava as moedas para a próxima dose. De repente tudo foge de foco, os passos se confundem com a vontade de ir embora mais rápido, tropeçando por caminhos conhecidos há anos, pisando em vão em estradas familiares...

Sem perceber o dia vira noite, e a noite veio para piorar. Minha mente dolorida cura ressaca com mais bebida, meu pulmão sem ar descansa respirando fumaça. As luzes daquele lugar se misturam com as pessoas que passam despercebidas por entre os lustres e copos vazios.

Mais do que tudo minhas pernas fatigadas não aguentam dançar por nenhum segundo a mais, o meu mundo delicadamente criado desmorona e ninguém vê. O seu abraço sincero parece quebrar qualquer muro de duas caras que eu possa ter.

Não pensei em ter vontade de dormir tão cedo, para não acordar tão tarde e poder pensar em tudo o que eu não quero e no entanto digo sim. Sinto muito por não pensar nisso antes de dormir, por não estar nunca com meu coração sóbrio o suficiente para esquecer de minhas vontades sem valor, e desejar só o seu rosto, sempre sereno.

terça-feira, agosto 14, 2007

domingo, agosto 12, 2007

Voltei:

A mofar pelas ruas. A dançar de olhos fechados. A simpatizar com simpatizantes. A olhar sem analisar. A abstrair o que sei. A não me interessar pela hora. A somar atitudes falhas. A não ter saudade. A não pensar em voltar. Ao combate direto com minhas idéias. Ao insano de meus gestos antigos. Ao semblante feliz. Às carícias da soberba. À timidez proposital. A defrontar a pretensão. A não me importar com ilação. A deduzir cada passo. A não precisar de desculpas. A não querer marcas. A correr sem ter pressa. A não ler aquelas cartas. A ser tudo o que me basta.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Que horas são?

Era uma vez uma estrela sozinha, fechei a cortina e fim.
O frio de hoje veio me lembrar que sei sentir. O amparo que tenho ao olhar para o chão não.
O arrimo da cama, mais eloquente, me fez bocejar ideias contrárias do dia já no fim. O fim que não se refere a um começo, um começo que não sei sentir.
O arrimo do amparo ao bocejar sobre o fim, desprezando a cortina fechada.
A estrela sozinha sem chão, pouco eloquente mas perturbadora.
O começo de idéias contrárias de um dia que ficou frio só à noite.
O vento que toca a estrela por não perder seu tempo comigo, ficou lá no alto. O chão que continua por perto, auxilia minhas idéias perturbadoras.
Enquanto isso o tempo que não foi perdido comigo começa a me escoltar vagarosamente, segundo por segundo sem eu perceber.
E o vento que passou o dia junto a mim, caminhou por entre as árvores altas também, eu sei porque ouvi ele nelas, mas sumiu quando fechei as cortinas para a estrela. Talvez agora ele esteja caminhando com ela, talvez o chão suba e o céu me faça um pouco de companhia enquanto eu tento de alguma forma descobrir que horas são, e fim.

domingo, agosto 05, 2007

O primeiro momento da existência ou da execução, seguido do momento em que se acaba ou se conclui alguma coisa.


Preciso tomar cuidado para não dar passos em flertes, para não entreter-te desnecessariamente. Ainda não sei falar sobre amor.

Não me encaixo no perfil que criei sobre que tipo de pessoa está no espelho. Assim não sei o que posso dividir de mim, se isso por acaso for solicitado.