domingo, agosto 19, 2007

Garota.

É garota, por mais que em um raio de 50 quilômetros ninguém confie em você, estou aqui para arriscar. Dizia a voz insistente enquanto eu contava as moedas para a próxima dose. De repente tudo foge de foco, os passos se confundem com a vontade de ir embora mais rápido, tropeçando por caminhos conhecidos há anos, pisando em vão em estradas familiares...

Sem perceber o dia vira noite, e a noite veio para piorar. Minha mente dolorida cura ressaca com mais bebida, meu pulmão sem ar descansa respirando fumaça. As luzes daquele lugar se misturam com as pessoas que passam despercebidas por entre os lustres e copos vazios.

Mais do que tudo minhas pernas fatigadas não aguentam dançar por nenhum segundo a mais, o meu mundo delicadamente criado desmorona e ninguém vê. O seu abraço sincero parece quebrar qualquer muro de duas caras que eu possa ter.

Não pensei em ter vontade de dormir tão cedo, para não acordar tão tarde e poder pensar em tudo o que eu não quero e no entanto digo sim. Sinto muito por não pensar nisso antes de dormir, por não estar nunca com meu coração sóbrio o suficiente para esquecer de minhas vontades sem valor, e desejar só o seu rosto, sempre sereno.

terça-feira, agosto 14, 2007

domingo, agosto 12, 2007

Voltei:

A mofar pelas ruas. A dançar de olhos fechados. A simpatizar com simpatizantes. A olhar sem analisar. A abstrair o que sei. A não me interessar pela hora. A somar atitudes falhas. A não ter saudade. A não pensar em voltar. Ao combate direto com minhas idéias. Ao insano de meus gestos antigos. Ao semblante feliz. Às carícias da soberba. À timidez proposital. A defrontar a pretensão. A não me importar com ilação. A deduzir cada passo. A não precisar de desculpas. A não querer marcas. A correr sem ter pressa. A não ler aquelas cartas. A ser tudo o que me basta.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Que horas são?

Era uma vez uma estrela sozinha, fechei a cortina e fim.
O frio de hoje veio me lembrar que sei sentir. O amparo que tenho ao olhar para o chão não.
O arrimo da cama, mais eloquente, me fez bocejar ideias contrárias do dia já no fim. O fim que não se refere a um começo, um começo que não sei sentir.
O arrimo do amparo ao bocejar sobre o fim, desprezando a cortina fechada.
A estrela sozinha sem chão, pouco eloquente mas perturbadora.
O começo de idéias contrárias de um dia que ficou frio só à noite.
O vento que toca a estrela por não perder seu tempo comigo, ficou lá no alto. O chão que continua por perto, auxilia minhas idéias perturbadoras.
Enquanto isso o tempo que não foi perdido comigo começa a me escoltar vagarosamente, segundo por segundo sem eu perceber.
E o vento que passou o dia junto a mim, caminhou por entre as árvores altas também, eu sei porque ouvi ele nelas, mas sumiu quando fechei as cortinas para a estrela. Talvez agora ele esteja caminhando com ela, talvez o chão suba e o céu me faça um pouco de companhia enquanto eu tento de alguma forma descobrir que horas são, e fim.

domingo, agosto 05, 2007

O primeiro momento da existência ou da execução, seguido do momento em que se acaba ou se conclui alguma coisa.


Preciso tomar cuidado para não dar passos em flertes, para não entreter-te desnecessariamente. Ainda não sei falar sobre amor.

Não me encaixo no perfil que criei sobre que tipo de pessoa está no espelho. Assim não sei o que posso dividir de mim, se isso por acaso for solicitado. 

quinta-feira, agosto 02, 2007



Posterior ao seus olhos postiços de lágrimas, eu me deterioro vendo por entre suas retinas intricadas um futuro, para ser sincera, imbecil. 
Crescemos juntos e você é tão singular. Seu jeito excêntrico fazia lembrar o receio que eu tinha em estar certa.

Declaro-me livre de ser sua consciência. 

 Espero que algum dia você forme ou combine idéias mais intensas, e menos desmerecedoras de suas oportunidades.

segunda-feira, julho 30, 2007

Eu te desejo um bom dia mesmo assim, mesmo se for o fim.

quinta-feira, julho 19, 2007

Renúncia de pessoa à adesão às conseqüências punitivas que seriam justificáveis ou não. Perdão.

Tanta gente correndo junta, eterna falta de olhar em volta. Prenderam-se a certos rancores difíceis de superar, mas não impossíveis de esquecer. Em vez disso esqueceram tudo o que os cerca, por vezes o óbvio. Negligenciaram a roupa constantemente suja que são. Ocultaram o desmascarar diário, o lutar sem regras. De repente as pessoas me parecem tão mais óbvias, tão mais constantes, tão mais fáceis de se lidar e manter longe quanto antes.

Simplesmente abrem os olhos que fingem ser poderosos, mas sempre caem na mesma história infame, enganam-se sempre pela mesma percepção esdrúxula e desvirtuada da vida. Assim como desvirtuo minha mente com o céptico olhar. Assim como alucino minhas pernas em vão sempre que viajo por estas estradas, uma estrada imagética. Assim como saio à noite sem hora e local marcado, para tentar me manter inerte ao dia.

Não há muito o que salvar, mas resta acima de tudo, aquela capacidade de ternura. Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado, de pequenos abusos que não consigo lembrar, por mais que eu tente e precise disso. A sanidade total viria a seguir, quando eu me possibilitar de reconhecer essas cicatrizes internas e externas. Eis que o assunto muda de face e me encara de frente, olhando lá no fundo, remoendo o passado esquecido por ser tão doloroso. Tentando quebrar o muro que eu mesma construí para certas lembranças.

Mudando de tom a cada dia, alternando as diferentes fontes do saber, acabando com o que resta dessa magia de conhecer alguém, quero ficar só. 

Não vou sentir-me anestesiada por estar entre membros da mesma espécie caótica e desinteressante, vou generalizando e juntando os corpos para o muro de minhas lembranças ficar ainda maior. Por benevolência ao que nem sei, eu já me sinto pior ainda. O desengano não faz parte dos meus planos. Já que o indulto do que nem lembro é impossível.

As luzes dessa foto brilham me fazendo ver que mesmo em muitos meses duvidosos, esse segundo de silêncio e de perda total das incertezas vale por anos.

terça-feira, julho 17, 2007

Respondendo sua pergunta.

Era como se fosse a primeira vez em que as duas se veriam. Como se não houvessem mais de dois anos por trás dos sorrisos e abraços sinceros. Decidiram que seria assim, iriam deixar de lado os dias difíceis e pausar as confusões.

Quando ela a viu vindo em sua direção, foi como se as pessoas ao redor estivessem em outro plano, e podia apostar tudo na certeza de que o sol se abriria em qualquer quarto escuro que ela entrasse. Se perguntava como pode ficar tanto tempo sem essa sensação de estar em um filme romântico brega.

Agora que recomeçaram o que nunca havia terminado, elas não vão mais pensar nos outros. Agora as palavras mantidas a sete chaves fluem espontaneamente, fazendo crescer ainda mais a alegria de estarem finalmente falando sem pudor.

E se mesmo todo o mau do mundo continuar não dando trégua, as duas irão lutar. 

Era noite de segunda, e como de costume chovia por onde elas passavam. Não há mais segredos, nem constrangimentos, nem motivos para tristeza. Elas estão livres agora, e pelo que sei não as veremos por tempos, porque precisam do tempo que agora pode demorar. Foi o que disseram quando já muito atrasadas renunciaram ao sofrimento sem razão.

sexta-feira, julho 13, 2007

Reticências, omissão intencional de coisa que se devia ou podia dizer.

Se antes já tinha alguma idéia de solidão, ela nada representava em vista do que a garota suportara naquele outono.