terça-feira, dezembro 22, 2009

Subentense-se amor.

Quando todos os motivos do mundo me fazem ficar em casa, você é o filme bom que passa na TV.
Enquanto o vinho ainda está lacrado e sem pressa a noite começa a engolir-me, você é o som dos passos de qualquer um que eu ouvir chegar. A estranheza mais bonita de se ter por perto, a calmaria das minhas flores te chamando para ficar... És a embriaguez que me ensinou a ser paciente. E quando perfumo minhas mãos antes de entregar as cartas ao correio, você é essa gentileza invisível que me faz bem, que me coloca ao teu lado em cada linha.
És o motivo dessa saudade doer, e de se tranquilizar de tempos em tempos, como ondas de minutos que não posso controlar a não ser agora, quando vejo claramente que mesmo antes dos abraços feitos de vento e de segredos construídos como se fossem fotos inexistentes do nosso dia-a-dia, você é a coisa mais simples nessa imensidão toda.
E enquanto todos acham que estamos muito longe... Cada pensamento, gesto e decisão minha que eles vêem, continuam cobertos do teu nome.

domingo, dezembro 20, 2009

terça-feira, dezembro 15, 2009

Caixa de saída - 11/03/2009 : 02:43 Horas.

A luz da TV ilumina o quarto escuro e vejo teu rosto desenhado na minha pele. Começo a te escrever sem pretensões dessas palavras serem libertadas do listrado do caderno chegando até você. Escrevo porque assim acredito na insanidade temporária de estar conversando contigo. Porque tua falta dói. E lembrando da gente aqui, o tempo não existe, é como viver em uma fotografia bonita. Acabo arriscando um sorriso sem jeito, pronto para um beijo teu... Mas a noite parece uma cena congelada. E sufoca as cordas vocais quando tento chamar pelo teu nome...
No primeiro suspiro da manhã sinto o ar entrando áspero, procurando lugar entre a saudade que à noite se espalhou pelos pulmões e o resto todo. Já meus olhos, hora inquietos tentando achar um lugar onde consigam sustentar o corpo inerte a outra emoção (procurando distrações por todos os lados), hora fixos no espelho (procurando por você dentro deles mesmos), já não sabem como agir... e só transbordam.
O cérebro logo enlouquece também, e antes de escrever isso, especula planos para nós. Calcula distâncias, procura pseudo-soluções que resolvam tudo em meia hora. Mente para si mesmo e força o rosto a um sorriso conformado e mentiroso.
É nessa imensidão de coisas acontecendo ao mesmo tempo que a boca grita, e o silêncio após, faz por um minuto tudo ser ainda mais cruel.
Depois, o celular toca e os olhos fatigados te lêem dizendo que também sentes minha falta. Assim, começando pela cabeça e descendo, o corpo vai se tornando tranquilo e se joga na cama feliz e agradecido por te ter, tendo exatamente a mesma saudade... Quase não acreditando nisso...

terça-feira, dezembro 08, 2009

sábado, novembro 28, 2009

Ainda o paradoxo da retórica.

Enquanto todos dormiam ela tentava arrancar os olhos que de tão fracos já eram supérfluos ao rosto. Sua insistente insônia de corpo cansado a faz bailar trôpega pelo quarto, escolhendo os pensamentos que não geram gritos.
São claros os sinais que essas noites proporcionam, e de tão óbvios ninguém os questiona, mas por essa obviedade toda também não são aceitos. A menina cansou desses sucetivos impasses das pessoas normais de não entenderem as coisas mais simples, os desabafos sem fala mais sinceros. Queria ela fazer desse problema uma hisória bem bonita, onde existiria a dúvida da loucura inérte no papel, e por fim, o próprio leitor chegaria a essa conclusão sem expecificações, por meio de frases de impacto. Porém ela entristece só de ter essa ideia, não a da história em si mas de ter que aceitar agora algo mais complexo, aceitar que as pessoas precisam de problemas armados, tentativas de suicídio, dramas noites a dentro para entenderem enfim o que está ali, intacto há anos e sempre tão certo como a fome que virá. Precisaria agora, complicar tudo para descomplicar-se, agir como vê que se deve, parar de acreditar nessa besteira toda de silêncio esclarecedor.

terça-feira, novembro 10, 2009

.exe

Óculos na mesa e sei para onde tuas mãos irão, conheço o trajeto dos teus gestos, da perna trêmula, dos olhos inquietos. (Estes que enquanto olham atentos para o meu constrangimento, riem se fechando). Falas: "Algo te encomoda?" Digo que é só a música da manhã. Aquela que acaba te traduzindo no momento em que me remetem a nostalgia de anos anteriores. É como se tivéssemos passado.
Sei que entenderias melhor se eu tivesse em mãos uma frase de impacto escrita em código binário, (eu também). Mas só consigo pensar que o tempo passou como um assopro de tentativa de assovio meu, e que não me lembro direito dos meus dias sem tua paciência matinal, e os teus desapegos de final de tarde.

quinta-feira, novembro 05, 2009

Q R S T U V W X Y Z A B C D E F G H I


Mesmo sentindo falta daquela nossa corrida de matar dias... São só dias mortos.

segunda-feira, agosto 10, 2009

O que ficou, o que ainda irá, o que espera a hora, o que invadiu sem licença...

Acordo com o ar pesado da tua ausência tomando conta das estradas. Sentindo o movimento das curvas acabando pouco a pouco até com a água em meus olhos. E sem cessar, a dor de cada metro proporciona um grito interno que o mundo escutaria, e que faz meu sangue esquentar a ponto da pele arder com toques alheios.
Amor, ficou contigo minha calma envolta nas flores que me destes. E deixei de propósito no teu corpo parcela maior de mim do que a matéria que aqui voz fala um dia teve...
Abre tua mão e vê minha boca pedindo por mais tempo. Encosta no teu ombro os lábios e sente de vez que não fui deveras embora...
Assim, enquanto derramas pela tua cama o teu cansaço diário de saudade, enquanto caminhas pelas mesmas ruas e não decifras o sentimento que te envolve, enquanto te parece impossível viver tão tragicamente feliz... Fala, que é só no teu canto que acho minha sorte e assim consigo te fazer ver que o que me cala é a espera pela tua voz, que não ligo pros meus anceios quando dizes até amanhã, que a simples promessa de mais um beijo teu é suficiente para viver uma vida lutando por isso...

terça-feira, agosto 04, 2009

Nem mais uma linha.

quinta-feira, julho 09, 2009

(.)

Enquanto o telefone carrega, continuo olhando o chão naquele canto como um espaço vazio que foi preenchido por suas coisas. Na verdade, nunca foi um espaço vazio antes de você chegar e dar-lhe importância. Eu nunca notei aquele canto, talvez porque já sabia que era seu, então deixei a sua disposição desde sempre (e gosto de pensar que isso não foi sem querer). É, hoje penso como quem acordou depois de 17 anos, e tem ideias doidas como por exemplo: dormir no chão para de repente sonhar que sou coisa sua que você esqueceu aqui.
Não soa tão doido se te contar que já sonhei que era um de seus livros favoritos, daqueles que influenciariam teus atos diários e não ficariam longe de ti por nada no mundo. É, outro dia também sonhei que eu era um nada no mundo, só uma sombra boba que te perseguia torcendo para que a chuva acabe antes que você saia da aula, que lembres de comer direito, e que eu, como um nada mundo que te amava a ponto de não se importar com viver só desse amor, torcia mais ainda para que em um minuto de um dia qualquer, por um motivo besta ou um daqueles pensamentos que a gente esquece logo depois que pensa, você me sentisse ao teu lado e sorrisse para o espaço vazio. Nessa hora eu deixaria de me nomear como nada no mundo, começaria a ser a personificação de um romance perfeito que só não poderia acontecer porque eu ainda não existia. Mas no sonho, você chegou a tocar em mim e transformar-me em algo teu, como as coisas que levasses contigo deixando um espaço que para mim era invisível, e que agora é o mais vazio e importante do quarto. Assim, passei a ser alguém que não tinha nem passado, alguém que aprendia a andar a cada passo seu.
Com o tempo, fui tornando-me mais cúmplice ainda desse amor todo, sem lembrar do nada que era antes de ti (ou decidindo não pensar nisso), somando cada detalhe das vezes que você me fez sorrir sem saber, ganhei o nome mais lindo, que é o som da tua voz pronunciando qualquer palavra. Isso, estarei atenta ao som. Pouco me importa a quem você irá dedicar as palavras, tudo o que dizes soa e vai soar sempre como minha música favorita, tão importante e doce... Até mais do que te enxergar, e sempre, sempre vai ser assim, com certezas de olhos fechados. (E o sempre, sempre vai ser dois para nós).
Acordo, e sem perceber tento lembrar de como eu era antes, para cair na real das coisas reais que me rodeiam... Noto que ultimamente só sento como você se lembrava que eu fazia. Que casacos aparecem na minha mochila como mágica do meu inconsciente. Que minhas mãos de tanto procurar pelas tuas, perceberam que você existe alí no meio dos poros da minha pele, assim às vezes me pego andando de mãos dadas comigo mesma, eu sorrio pro nada. Esse nada/tudo é a nossa história, é amor, é o que eu precisava te contar, é o que me tornei a partir desse amor, é falar sem mais delongas, te amar sem esperar respostas de como isso foi acontecer comigo como um nada (gosto mesmo de pensar que nada disso tem explicação). A única certeza que tenho é a que não se pode mudar, que não te espero, amor. Eu vivo com você todo dia, e sempre, sempre sentindo essa coisa nova, de ser sortuda só por ter o teu sorriso para mim, às vezes, assim, mesmo sem saber... E me sinto feliz, só por poder te contar o quanto senti tua falta quando não sabia teu nome mas já te amava com minhas certezas da tua existência vindas pelo vento, aonde quer que eu fosse.