segunda-feira, janeiro 12, 2009

Quero que você fique sabendo (faz de conta que não sabe) ...

Nesse momento consigo ver o que a partida de seus traços (agora tão familiares) me fariam sentir. Te recordo por meio segundo, e na cortina entreaberta vejo um feche de luz que representa dia após dia, minha nova espera.
Ligo a TV baixinho e se fecho os olhos mergulho nos lugares onde você completou o espaço vazio, percebo que tudo já parecia dez vezes maior a medida que ias se despedindo.
Quando a tranca do meu quarto não sustenta o peso da porta, o vento que sopra para dentro tem cheiro de realidade distante. E qualquer música que ouse interromper meus pensamentos, enquanto viaja por entre as ondas sonoras se modifica e vira a voz que me arrepia, que me deixa sem jeito... Nada ouço, além de você, em meus ouvidos.
Seria muito estranho dizer que a distância só nos trouxe mais proximidade? Seria muito dramático dizer que lembro dos teus traços levemente desenhados pela água que escorria, vinda do querer tanto... E quando passaram pelos meus, marcaram a pele de um jeito que nenhuma chuva de horas poderia apagar?
As cartas que por ventura chegarem, no papel trarão a maciez do teu toque, também o jeito que me olhas enquanto minhas pernas se mexem e meus olhos procuram um porto seguro, longe de toda a excitação que me trazes com um simples movimento de cabeça, e você ri me segurando firme com os olhos, me deixando no alto com teu abraço, me sustentando sua, com uma palavra.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Não é para você, nem para você.

As milhares de luzes retorcidas no rio de algum modo deixaram seus olhos mais claros a medida que ias mentindo. Enquanto isso minha perna direita que tende a tremer se retém quieta, e os corpos se aproximam...
Confundindo-te com minhas palavras já impressas, doei a você minha noite que sempre foi de fuga, sem conseguir me refugiar em teus braços tão impuros quanto a água que emerge desse rio.
Sigo contigo pela estrada de desvios sendo livre, cada vez mais comprometida com o que me faz sentir toda essa coisa (essa que você não consegue mais fazer).
Não me abalas se fores embora, não me embriagas mais, não tem sentido algum nosso andar compassado, desculpe.
O céu fica roxo escuro e lembro do que é belo de verdade, sinto que estou ganhando tempo quando a hora começa a passar rápida, é contagem regressiva, é sol nascendo. Mas não se preocupe tanto, talvez ainda voltaremos a pisar na sujeira que hoje deixamos para trás.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Now, let the history repeat.

A música tocada sobre a invasão procedeu. Seus lábios secos se transformaram e a sede sumiu. Sentada em um sofá qualquer, fechando apertado os olhos, conto até dez antes de aceitar. E posso sentir o calor em volta, pois a chuva fria vem de dentro para fora.
Bom, lentamente os lábios chegaram e o sorriso veio recatado, será? Penso nela confrontado-se com a escuridão que estava acostumada por um tempo, esfregando os olhos sonolenta, ela sempre perde desse jeito para a noite?
Minha música lenta e desbotada voltou a vida. Também o temor de coisas não cumpridas, algumas idéias que as pessoas nunca cumprem por serem pessoais demais. Não temos caminhado tendo em vista o mesmo sentido, tão pouco pensou-se mutuamente em coisas que eram certas pra mim. Mas a voz continua ecoando nos meus ouvidos, e a imagem dela é algo complicado, algo com que não sei lidar. Apesar de reparar declives em seus olhos por miragens e ilusões. Muitos desses pensamentos estão presos tão dentro de mim, que poucos verão verdadeiramente a luz do dia, mesmo que lidos e interpretados.
É estranho como passamos a frente das coisas, mesmo antes que elas aconteçam. Quando qualquer compromisso é um fracasso tão leal, tentamos qualquer tipo de frase clichê para amenizar o que sabíamos que ia acontecer, "é para o nosso próprio bem".
Lançada através das páginas do meu dia, você viveu em mim em momentos que eu achei que nunca conseguiria terminar o capítulo, e em outros que pensei que nem o começaria. Por fim não estás realmente escrita, não tem seu nome em nada, meu bem. Mas para os que não são leigos de mim em cada piscar de olhos meu, vêem um vazio distante desde que te conheci.
[There's a sunbeam that dwells on earth by my side]

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Orquídeas.

Me encara, é cara. Reflete, enfatiza. Em sete segundos se modifica.
Existem mais de 30.000 espécies de orquídeas no mundo, e mais de 50.000l jeitos de descrever um desligar de telefone. Não escrevo esse tipo de coisa, não quero informação barata, quero me desajustar confundindo-me para fluir.
Quero escrever sobre uma flor, tenho que entender o desenvolvimento dessa flor. Em minha própria adaptação disso, busco uma ligação a ela, já que ficou presa ao meu corpo em algum momento da história, ou dessa história.
É sobre flores. Digo em voz alta. É loucura sobre adaptação, sobre evolução, desejo por sede...
Apaixonar-se por uma coisa intensamente, diminui o mundo de maneira que ele se torna mais controlável. Me asfixia seguir seus passos, flor.
Perco o foco, é sóbre flores. Apaixonar-se não é importante agora, é mero fato de distração mundial... Mas pensando bem por vezes elas também são intoxicantes, as flores. Estar perto de algo tão vivo me deixa sem jeito. Fantástica, fugaz, e fora do alcance das minhas palavras. Já é sobre você.
As pessoas vivem cobrando a atitude certa, a palavra no segundo que deve ser dita, coerência... Essas coisas que são ditas automáticas por quem diz ter bom senso. Bom senso...
Uma mudança, que causaria perca momentânea do bom senso não é propriamente uma escolha, nem para uma planta nem para mim. A única diferença talvez, seja que menti sobre a minha, escondo-me dentro da pele, enquanto ela murcha. Porém ela não tem medo da casa vazia e do vento que faz imaginar um toque.
É sobre flores, é sobre as benditas orquídeas, é sobre a minha única inspiração soprada antes de aceitar o arrependimento, é sobre você, é informação barata sobre mim.

quinta-feira, novembro 27, 2008

De perto.

Tenho febre quando penso nos escombros do que ainda - por algum daqueles motivos que ninguém se prontifica a explicar -, está de pé.
A sua presença nos meus ossos e meu dia cansativo me fazem ver que eu não posso mais, eu não consigo mais. Porque existem lares que se vão, como peças de brinquedo da criança que sem entender chora por ver todos chorarem... E a minha lucidez parte refletida nas lágrimas de quem pede por um alento.
Vejo as coisas saírem da órbita do que está ao nosso alcance e se tornarem força tão grande que assusta. E assusta sem idade certa, assusta sem ver documento, faz o que temos de mais humano pulsar em todas as veias.
Enchergo os olhos de raiva de quem foi destruído por dentro, reconheço detalhes das ações de quem não sabe o que vai ser de amanhã, toco o sangue do que nunca vai se curar por inteiro... Fico assim, meio sem jeito de falar, me sentindo inútil, sem saber onde é o ponto que termina.

domingo, novembro 23, 2008

Os malditos espaços.

Quando nada alegrava nem dava alento, a mão ávida do espaço em branco tocou fundo no que sempre esteve escondido em mim.
Nesses dias a espessa asa se tornou lâmina que dilacera a face. Então trago a voz rouca que o minuto virou desespero de dias.
Repenso os vastos espaços vazios que percorrem os suspiros diários que desencantam as pessoas ao meu redor, vejo que o que é certo veio em hora imprópria. Por vezes faz doer, por vezes de felicidade inunda meus olhos secos.
Nesse desconforto descomunal das dúvidas que nos fazem tropeçar em cada frase, eu me percebo amedrontada e inquieta a espera das minhas próximas linhas. E o modo que te elevo, me faz andar na ponta dos pés para não impedir que fiques onde estás se eu, sem jeito, tornar a cair.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Here's a simple dissertation on a complex situation: Two bodies.

Violated.
Traumatized.
There's no lies if you don't ask questions.
All damn day, every day, two bodies.
Trying to be brave, cause when they're brave other bodies feel brave.
So some people race ahead to see if they can get there first.
But they are only two bodies.
Every step of every day:
Violated.
Traumatized.
But two.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Nesse voluntário exílio, arrepender-me-ei.

As luzes eram mais rápidas que a batida embalando os rostos noturnos, que estavam por ensaiar personagens. A força dos olhares, mais tarde, era estranhamente tranqüila e pedindo tanto, aqueles olhares sempre me pedem tanto...
E eu como sempre a flutuar sobre você, tão distraída... Comecei a te dividir em pedaços, um para cada pessoa que me interropia, gente que não tinha idéia do que eu falava, tão distantes do que sou agora, que você nem imaginaria, você nem imaginaria...
Digo que meu amor nunca foi desculpa para um cessar fogo dentro de mim, repito de diversas formas que você é a tempestade que chega para dar medo, é confusão descomunal, um desespero claustrofóbico... Você é um respirar cansado e tão contente, que eu quase não consigo perceber a linha que difere cada sentimento.
Mesmo assim, eu continuo entorpecendo o que os outros acham que é certo, mesmo respirando você, esqueço-me de tentar resistir ao que sei, sempre vai estar ao meu redor.
Assim o lugar fica cada vez mais monótono, e depois da ação virar conseqüência, afetando da maneira esperada o corpo que em tempos não se sentia assim, a forma com que eu penso é bem mais esclarecedora, quem dera eu conseguisse lembrar de manhã... Minhas atitudes agora são bem mais coerentes com o que transpareço quando estou só, quem dera fosse sempre assim... Porém o cheiro da bebida amarga e a dor entre os olhos e a boca são mais difíceis de lidar nessa hora, do que a minha insistente vontade de me entender.
Não estou propriamente vazia naquele lugar cheio do que não é necessário, preencho-me da falta, das lacunas, dos nossos nadas, nessa manhã translúcida que acende os devaneios do que sonho sem precisar de auxílio...
Solto toda a minha raiva num murmurio letal, meus gestos falados não tiveram o rumo dos olhos certos a noite toda, então acabo me percebendo calada, procurando como no passado, um jeito de não emudecer de vez.

domingo, outubro 12, 2008

O vento que toma o corpo sozinho.

A fumaça que meu corpo forma no chão molhado ofusca seu rosto quando penso que te vi... O gosto amargo na saliva que teu último beijo não dado deixou, me faz ter que pensar menos.
Nessa noite de alegorias humanas, de ingressos de sorte... O cansaço é proporcional aos recursos que se tem para ir embora. Ir embora... Solução pré julgada como solução. Medo ansioso que não venhas e a tormenta chegue logo depois.
Penso no que vem de longe, longe demais até do que sou, longe do que conseguiria ser... Um distânciamento de corpos estrategicamente feito para instigar, pro último canto sempre soar como o primeiro em qualquer espaço vão entre nós.
Eu não espero compreensão... Eu senti a ausência, eu toquei o vento que te conhece bem, pedi que venhas logo, fechei os olhos para te criar... E por algum tempo, te senti mais perto do que se realmente estivesses comigo. E preciso dizer, fui feliz.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Presença de tudo o que não me deixa dormir.

Por mais que meus braços estejam acostumados com sua presença cotidiana em meus ombros, não relaxam. E minhas pernas insistem em esquecer o que a realidade busca afirmar friamente e dolorosamente, assim continuam mexendo.
Os olhos, que já não são mais o mesmos, parecem enaltecer a dor que vem da testa, aquela que cria água.
Não consigo dormir, não consigo parar de imaginar soluções e escreve-las em papel com selo postal. Me distraio sentindo o cansaço que é proporcional a vontade de te ver, que não surge prometendo um fim, permanece. E permanece enquanto o doce da sua presença se esvai no que sei que criei, pintora de pensamentos que me tornei.
Seu fundo colorido tão singular faz com que tudo seja tão apaixonante e desesperador...
Você, ao mesmo tempo refúgio que me abriga e ausência que me mantem só, não me deixa dormir essa noite.