segunda-feira, dezembro 01, 2008

Orquídeas.

Me encara, é cara. Reflete, enfatiza. Em sete segundos se modifica.
Existem mais de 30.000 espécies de orquídeas no mundo, e mais de 50.000l jeitos de descrever um desligar de telefone. Não escrevo esse tipo de coisa, não quero informação barata, quero me desajustar confundindo-me para fluir.
Quero escrever sobre uma flor, tenho que entender o desenvolvimento dessa flor. Em minha própria adaptação disso, busco uma ligação a ela, já que ficou presa ao meu corpo em algum momento da história, ou dessa história.
É sobre flores. Digo em voz alta. É loucura sobre adaptação, sobre evolução, desejo por sede...
Apaixonar-se por uma coisa intensamente, diminui o mundo de maneira que ele se torna mais controlável. Me asfixia seguir seus passos, flor.
Perco o foco, é sóbre flores. Apaixonar-se não é importante agora, é mero fato de distração mundial... Mas pensando bem por vezes elas também são intoxicantes, as flores. Estar perto de algo tão vivo me deixa sem jeito. Fantástica, fugaz, e fora do alcance das minhas palavras. Já é sobre você.
As pessoas vivem cobrando a atitude certa, a palavra no segundo que deve ser dita, coerência... Essas coisas que são ditas automáticas por quem diz ter bom senso. Bom senso...
Uma mudança, que causaria perca momentânea do bom senso não é propriamente uma escolha, nem para uma planta nem para mim. A única diferença talvez, seja que menti sobre a minha, escondo-me dentro da pele, enquanto ela murcha. Porém ela não tem medo da casa vazia e do vento que faz imaginar um toque.
É sobre flores, é sobre as benditas orquídeas, é sobre a minha única inspiração soprada antes de aceitar o arrependimento, é sobre você, é informação barata sobre mim.

quinta-feira, novembro 27, 2008

De perto.

Tenho febre quando penso nos escombros do que ainda - por algum daqueles motivos que ninguém se prontifica a explicar -, está de pé.
A sua presença nos meus ossos e meu dia cansativo me fazem ver que eu não posso mais, eu não consigo mais. Porque existem lares que se vão, como peças de brinquedo da criança que sem entender chora por ver todos chorarem... E a minha lucidez parte refletida nas lágrimas de quem pede por um alento.
Vejo as coisas saírem da órbita do que está ao nosso alcance e se tornarem força tão grande que assusta. E assusta sem idade certa, assusta sem ver documento, faz o que temos de mais humano pulsar em todas as veias.
Enchergo os olhos de raiva de quem foi destruído por dentro, reconheço detalhes das ações de quem não sabe o que vai ser de amanhã, toco o sangue do que nunca vai se curar por inteiro... Fico assim, meio sem jeito de falar, me sentindo inútil, sem saber onde é o ponto que termina.

domingo, novembro 23, 2008

Os malditos espaços.

Quando nada alegrava nem dava alento, a mão ávida do espaço em branco tocou fundo no que sempre esteve escondido em mim.
Nesses dias a espessa asa se tornou lâmina que dilacera a face. Então trago a voz rouca que o minuto virou desespero de dias.
Repenso os vastos espaços vazios que percorrem os suspiros diários que desencantam as pessoas ao meu redor, vejo que o que é certo veio em hora imprópria. Por vezes faz doer, por vezes de felicidade inunda meus olhos secos.
Nesse desconforto descomunal das dúvidas que nos fazem tropeçar em cada frase, eu me percebo amedrontada e inquieta a espera das minhas próximas linhas. E o modo que te elevo, me faz andar na ponta dos pés para não impedir que fiques onde estás se eu, sem jeito, tornar a cair.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Here's a simple dissertation on a complex situation: Two bodies.

Violated.
Traumatized.
There's no lies if you don't ask questions.
All damn day, every day, two bodies.
Trying to be brave, cause when they're brave other bodies feel brave.
So some people race ahead to see if they can get there first.
But they are only two bodies.
Every step of every day:
Violated.
Traumatized.
But two.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Nesse voluntário exílio, arrepender-me-ei.

As luzes eram mais rápidas que a batida embalando os rostos noturnos, que estavam por ensaiar personagens. A força dos olhares, mais tarde, era estranhamente tranqüila e pedindo tanto, aqueles olhares sempre me pedem tanto...
E eu como sempre a flutuar sobre você, tão distraída... Comecei a te dividir em pedaços, um para cada pessoa que me interropia, gente que não tinha idéia do que eu falava, tão distantes do que sou agora, que você nem imaginaria, você nem imaginaria...
Digo que meu amor nunca foi desculpa para um cessar fogo dentro de mim, repito de diversas formas que você é a tempestade que chega para dar medo, é confusão descomunal, um desespero claustrofóbico... Você é um respirar cansado e tão contente, que eu quase não consigo perceber a linha que difere cada sentimento.
Mesmo assim, eu continuo entorpecendo o que os outros acham que é certo, mesmo respirando você, esqueço-me de tentar resistir ao que sei, sempre vai estar ao meu redor.
Assim o lugar fica cada vez mais monótono, e depois da ação virar conseqüência, afetando da maneira esperada o corpo que em tempos não se sentia assim, a forma com que eu penso é bem mais esclarecedora, quem dera eu conseguisse lembrar de manhã... Minhas atitudes agora são bem mais coerentes com o que transpareço quando estou só, quem dera fosse sempre assim... Porém o cheiro da bebida amarga e a dor entre os olhos e a boca são mais difíceis de lidar nessa hora, do que a minha insistente vontade de me entender.
Não estou propriamente vazia naquele lugar cheio do que não é necessário, preencho-me da falta, das lacunas, dos nossos nadas, nessa manhã translúcida que acende os devaneios do que sonho sem precisar de auxílio...
Solto toda a minha raiva num murmurio letal, meus gestos falados não tiveram o rumo dos olhos certos a noite toda, então acabo me percebendo calada, procurando como no passado, um jeito de não emudecer de vez.

domingo, outubro 12, 2008

O vento que toma o corpo sozinho.

A fumaça que meu corpo forma no chão molhado ofusca seu rosto quando penso que te vi... O gosto amargo na saliva que teu último beijo não dado deixou, me faz ter que pensar menos.
Nessa noite de alegorias humanas, de ingressos de sorte... O cansaço é proporcional aos recursos que se tem para ir embora. Ir embora... Solução pré julgada como solução. Medo ansioso que não venhas e a tormenta chegue logo depois.
Penso no que vem de longe, longe demais até do que sou, longe do que conseguiria ser... Um distânciamento de corpos estrategicamente feito para instigar, pro último canto sempre soar como o primeiro em qualquer espaço vão entre nós.
Eu não espero compreensão... Eu senti a ausência, eu toquei o vento que te conhece bem, pedi que venhas logo, fechei os olhos para te criar... E por algum tempo, te senti mais perto do que se realmente estivesses comigo. E preciso dizer, fui feliz.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Presença de tudo o que não me deixa dormir.

Por mais que meus braços estejam acostumados com sua presença cotidiana em meus ombros, não relaxam. E minhas pernas insistem em esquecer o que a realidade busca afirmar friamente e dolorosamente, assim continuam mexendo.
Os olhos, que já não são mais o mesmos, parecem enaltecer a dor que vem da testa, aquela que cria água.
Não consigo dormir, não consigo parar de imaginar soluções e escreve-las em papel com selo postal. Me distraio sentindo o cansaço que é proporcional a vontade de te ver, que não surge prometendo um fim, permanece. E permanece enquanto o doce da sua presença se esvai no que sei que criei, pintora de pensamentos que me tornei.
Seu fundo colorido tão singular faz com que tudo seja tão apaixonante e desesperador...
Você, ao mesmo tempo refúgio que me abriga e ausência que me mantem só, não me deixa dormir essa noite.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Te solto, segurando mais forte.

Cortam-se os fios da marionete eu, que você um dia idealizou. E assim uma parte do meu rosto já começa a ter reação sincera ao dia que chega cada vez menos lúcido, menos coerente. Os traços vão se fechando e mostrando a sinceridade externa que quase foi esquecida por mim.
Escrevo meus roteiros de viagem pensando agora em um novo rumo, e escuto vindo de dentro outro timbre se fortalecendo...
Já não preciso de ajuda para percorrer as curvas em linha reta. Não preciso de muitas razões me motivando a ser o lugar onde tudo já começa errando, ou sendo impossível...
Procuro pela chave da gaveta onde escondi trilhões de desculpas novas, e te entrego de bom grado.

quinta-feira, setembro 18, 2008

O quê te propaga em mim?

Ah meu bem, se você soubesse o quê te faz pulsar até formar um sorriso em mim.... Penso que é a temperatura variando nos passos conforme os pensamentos voam e percorrem o que não sei de ti. Talvez um querer inútil que vem das pálpebras cansadas de tanto se fechar, procurando o abrigo no escuro que temem. Por vezes acho que são manifestos de mãos ao rosto, de pernas trêmulas copiando as batidas do coração... Por fim é tudo o quê eu não sei explicar em um só fluxo, é tudo que embaralha minhas palavras em uma só expressão facial... Ah meu bem, se você soubesse...

quinta-feira, setembro 11, 2008

As coisas que são diárias.

Falar com você ameniza o fardo diário que carrego nas linhas da estrada.
A omissão intencional acaba sendo desculpada, porque se fez do que não se pode explicar.
As linhas que voam e percorrem os caminhos em que eu queria estar, chegam até você tão cheias de tudo o que eu preciso, e tão vazias de mim, que não te completam como o esperado.
A paciência inérte ao corpo sem toque faz ele parar de tremer e querer correr de olhos fechados, tentando acabar com a loucura toda.
De repente o corpo responde aos estímulos que vem de dentro, as coisas ficam mais claras e em um suspiro entendo por meio segundo o que isso tudo quer dizer.
Levanto e dou duas voltas ao redor de mim, peço desculpas em voz alta.
Perdi tanto das coisas que me prendiam em lugares que ainda freqüento, que agora a voz mais doce saí como um grito de socorro, e a minha resposta vem com dores na parte alta do cérebro, que me calam diante do que ninguém entende.
Mas enfim supero as curvas mudando o sentido da viagem, tampo os buracos com o tempo, e busco transporte nas coisas que penso diariamente.