quinta-feira, agosto 02, 2007



Posterior ao seus olhos postiços de lágrimas, eu me deterioro vendo por entre suas retinas intricadas um futuro, para ser sincera, imbecil. 
Crescemos juntos e você é tão singular. Seu jeito excêntrico fazia lembrar o receio que eu tinha em estar certa.

Declaro-me livre de ser sua consciência. 

 Espero que algum dia você forme ou combine idéias mais intensas, e menos desmerecedoras de suas oportunidades.

segunda-feira, julho 30, 2007

Eu te desejo um bom dia mesmo assim, mesmo se for o fim.

quinta-feira, julho 19, 2007

Renúncia de pessoa à adesão às conseqüências punitivas que seriam justificáveis ou não. Perdão.

Tanta gente correndo junta, eterna falta de olhar em volta. Prenderam-se a certos rancores difíceis de superar, mas não impossíveis de esquecer. Em vez disso esqueceram tudo o que os cerca, por vezes o óbvio. Negligenciaram a roupa constantemente suja que são. Ocultaram o desmascarar diário, o lutar sem regras. De repente as pessoas me parecem tão mais óbvias, tão mais constantes, tão mais fáceis de se lidar e manter longe quanto antes.

Simplesmente abrem os olhos que fingem ser poderosos, mas sempre caem na mesma história infame, enganam-se sempre pela mesma percepção esdrúxula e desvirtuada da vida. Assim como desvirtuo minha mente com o céptico olhar. Assim como alucino minhas pernas em vão sempre que viajo por estas estradas, uma estrada imagética. Assim como saio à noite sem hora e local marcado, para tentar me manter inerte ao dia.

Não há muito o que salvar, mas resta acima de tudo, aquela capacidade de ternura. Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado, de pequenos abusos que não consigo lembrar, por mais que eu tente e precise disso. A sanidade total viria a seguir, quando eu me possibilitar de reconhecer essas cicatrizes internas e externas. Eis que o assunto muda de face e me encara de frente, olhando lá no fundo, remoendo o passado esquecido por ser tão doloroso. Tentando quebrar o muro que eu mesma construí para certas lembranças.

Mudando de tom a cada dia, alternando as diferentes fontes do saber, acabando com o que resta dessa magia de conhecer alguém, quero ficar só. 

Não vou sentir-me anestesiada por estar entre membros da mesma espécie caótica e desinteressante, vou generalizando e juntando os corpos para o muro de minhas lembranças ficar ainda maior. Por benevolência ao que nem sei, eu já me sinto pior ainda. O desengano não faz parte dos meus planos. Já que o indulto do que nem lembro é impossível.

As luzes dessa foto brilham me fazendo ver que mesmo em muitos meses duvidosos, esse segundo de silêncio e de perda total das incertezas vale por anos.

terça-feira, julho 17, 2007

Respondendo sua pergunta.

Era como se fosse a primeira vez em que as duas se veriam. Como se não houvessem mais de dois anos por trás dos sorrisos e abraços sinceros. Decidiram que seria assim, iriam deixar de lado os dias difíceis e pausar as confusões.

Quando ela a viu vindo em sua direção, foi como se as pessoas ao redor estivessem em outro plano, e podia apostar tudo na certeza de que o sol se abriria em qualquer quarto escuro que ela entrasse. Se perguntava como pode ficar tanto tempo sem essa sensação de estar em um filme romântico brega.

Agora que recomeçaram o que nunca havia terminado, elas não vão mais pensar nos outros. Agora as palavras mantidas a sete chaves fluem espontaneamente, fazendo crescer ainda mais a alegria de estarem finalmente falando sem pudor.

E se mesmo todo o mau do mundo continuar não dando trégua, as duas irão lutar. 

Era noite de segunda, e como de costume chovia por onde elas passavam. Não há mais segredos, nem constrangimentos, nem motivos para tristeza. Elas estão livres agora, e pelo que sei não as veremos por tempos, porque precisam do tempo que agora pode demorar. Foi o que disseram quando já muito atrasadas renunciaram ao sofrimento sem razão.

sexta-feira, julho 13, 2007

Reticências, omissão intencional de coisa que se devia ou podia dizer.

Se antes já tinha alguma idéia de solidão, ela nada representava em vista do que a garota suportara naquele outono. 

terça-feira, julho 10, 2007

Pluie.

Tarde linda que não precisa se pôr, tão óbvio que as nuvens vão chegar.... Corre a lua vem o escuro, e eu escuto as frases gagas da mesma forma que versos mudos, sem pestanejar.

A guitarra no chão que não preciso mais concertar, no silêncio a música que vem de dentro é a mais alta possível, escutamos, procuramos, tentamos, arriscamos...

Se com muito arrojo eu -chegar a pensar em explicar-, três verbos já foram demais.

terça-feira, junho 26, 2007

Congratulations, you don't have another day.

Ando cometendo suicido de muitas vontades não juntando as letras, não formando palavras e assim não constituindo a frase tão esperada. Posso parecer inerte a todos os fatos, mas quem sabe eu esteja bem acordada.

Poderia facilmente dizer mil parábolas, estrofes, jargões, refrões, contos, haicais, mas seria inútil descrever em palavras a intensidade, o peso, a profundidade do que se reflete em meus olhos quando me deparo com as possibilidades. Essas possibilidades me deixam cada vez mais perdida nas minhas certezas. Assim sigo ações milimetricamente programadas e simultaneamente perdidas no dia-a-dia caótico que vem na frente, trilhando a chegada que não existe.

Talvez você fale sobre falta de apreço e eu responda algo descortês, sem medir o grau dessa impressão desagradável que certamente irá assolar o seu pensamento. Não me deixe fazer isso. Pois basta saber que surgirão as lágrimas mais lamuriantes quando finalmente eu perceber que amanhã não é outro dia, mas é só mais um dia, e não espero o entendimento de ninguém quanto a isso.

domingo, junho 17, 2007

Aliás, não mais.

Não importa se o vento trouxer nuvens que possam formar respostas para as suas dúvidas. Não quero ver até onde você consegue enxergar além do espelho.

É tarde para destruir, tijolo por tijolo, os muros da tua fortaleza.

segunda-feira, junho 11, 2007

Apesar disso; no entanto; contudo...

"Oi", e já foi o bastante. 
Até logo, não obstante. 
Por que talvez sim? 
Talvez não para o não. Não sendo tão ruim, não me metendo em mais confusão...

 Devolve o livro, esquece o sol, escuta o tiro, filme em espanhol? 
Volta para casa, dorme, não acha graça. 
Liga-me amanhã, medo instável de caminho inábil pros lábios cor de maçã. 
Não dite versos errados, já disse que irei, pois ficou o rastro do que eu não queria quando te ensinei. 

Talvez até chova, mas que chova de repente, já que é para ficar em casa, com as coisas da gente. 

Ver você agora é bem mais absurdo, irredutível ao oposto uso. Não fique abuamado quando te dizer, o quão malévola a noite vai ser.

 E se na sua cabeça vazia surgir a ideia de que meus versos falhos são malquerentes... Não deixe olvidar que "oi", e já foi o bastante para a gente...

quarta-feira, maio 23, 2007

Para todos que foram e esqueceram.

As pessoas dos livros fazem tantos rodeios, talvez porque não consigam explicar, ou expressar bem a idéia da ingratidão ou descaso humano.
Seria mais fácil, se deixássemos bem claro a todos, desde pequenos, que são seres únicos (eu passaria por muito menos fases ruins se não fosse por isso).
Acho que a vaidade absoluta reina nas confissões de amor, talvez eu seja assim, talvez eu tenha espelhos demais, talvez eu tenha lido demais e enlouqueci antes da hora. Mas, convenhamos, as pessoas nunca ligam, e você não sente falta da voz, é o orgulho ferido, o número não discado. Procura arduamente algum telefone substituto, esquecendo que o processo é o mesmo.
Eu, com conceito elevado ou exagerado de mim, nunca liguei, pelo menos não literalmente. Eu, ainda que inábil a qualquer coisa que esteja fora dos meus sonhos, consigo forças para a grande mudança.
O fato é que sei que não preciso disso, mas sei que isso é preciso, não por mim, mas pelas horas gastas ao telefone.
Conheci pessoas bem vestidas, em balcão de bar cool, que se diziam interessar pelas artes, e como se levantassem peso, cuspiam frases decoradas elevando seu ego. É normal ir ao banheiro e ver uma dessas pessoas com a mão do lado esquerdo do peito, procurando o coração que deveria estar alí. Procurando algum refúgio, algum lugar onde o que lhe é natural poderá ser exposto sem nenhuma interrupção, aquele amparo que não tem tempo de sentir nos braços de desconhecidos em noites tão curtas.
Para todos os que foram e não ligaram, para todos os que perderam na lembrança quem são, para todos os que perderam a habilidade adquirida ao longo dos anos de amar infinitamente, dou de bom grado toda minha desatenção, desconsideração e desprezo.