domingo, abril 01, 2012

- Chamavas ela, eu conseguia ouvir.
- Eu sei.
- Gritavas às vezes.
- Nem me lembra.
- Sou só uma voz interna, mas ando preocupada com nós.
- Eu sei.
- Ela vai embora, é o último aviso.
- Nem me lembra.
- Acha-te muito especial. Mas não és.
- Eu sei.
- Agarra-te na ideia da morte pra não ter responsabilidade de ser feliz em vida? Quanta covardia.
- Nem me lembra.
- Eu não estou lembrando nada, para de te repetir como quem pede desculpas. Sabes que esta conversa só acontece porque você pensa nisso.
- Eu sei.
- Então mexa-se.
- Mas eu... Nós... Temos tanto medo.
- Eu sei. Nem me lembra...

sábado, março 24, 2012

Quero te tirar dessa fotografia morta de mim. Quero te arrancar desse passado em que teu olhar não almejava  o meu por trás da câmera.
Quero te fazer um quadro de palavras, de promessas, de desculpas... E colar "VOCÊ" no centro de tudo.
Quero sentir a dor do teu beijo de adeus, tocar teus ciúmes com as mãos e dizer que sou tua como quiseres.
Quero escrever no teu corpo meu poema mais bonito, e dentro da tua boca soltar palavras silenciosas de saudade com um beijo.
Quero cair na tua frente e dizer que não precisas mais esperar, e que não me cabem as palavras que já foram inventadas para serem ditas nessa hora.

Sei que só conseguirei sentir uma imensa vontade de pegar tua mão e leva-lá até meu rosto, assinando com com os dedos teu nome em mim, entregando desse jeito meu futuro na certeza que entenderás assim que abrires os olhos...

Existe um motivo para eu continuar escrevendo até hoje. E quero que saibas, as frases não passam de caminhos que sempre me levaram até você, que te fizeram ficar mais um pouco...

Mas só há um motivo para eu parar de escrever nesse blog agora: As palavras não cabem mais nos meus sonhos.

O que eu quero dizer é que estou chegando e, não sei mais escrever... Porque passou da hora em que sonhar nos basta.


(E o estranho é que, tenho a mesma sensação em tudo que te escrevo: "Está sem começo e fim").

sábado, março 17, 2012

Nunca parei para pensar como ela conseguiu expandir seu cheiro por toda a cidade. Em como colocou seu rosto em tudo o que vejo, seu gosto em tudo que vem à minha boca... Nunca me questionei sobre como em qualquer madeira o artesão só entalha o corpo dela, e em qualquer quadro do mundo estão desenhadas suas mãos. Escritores fazem poesias com o seu nome, e tudo isso, me tocava sem eu questionar o porquê.

Hoje sei que tudo isso foi porque deixei que ela viesse, deixei que propusesses sua estadia na minha vida que me tomou, em pouco tempo, todos os sentidos.

Mas agora me pergunto, e vou me perguntar sempre, como alguém pode queimar tudo tão rápido? Deixando todos os livros, quadros, ruas, meu corpo... Com cheiro e gosto de fumaça...

quinta-feira, março 01, 2012

domingo, fevereiro 19, 2012

Meia noite e vou para a casa.

A noite parece a mesma de início... Os postes iluminam os mesmos rostos que estampam as calçadas da rua São Paulo. As mesmas conversas, as mesmas insinuações representando interesse pela tua boca garota. Ainda reconheces aqueles olhares curiosos que invadem teus olhos, mas não queres mais jogar.

Todos aparecem exatamente nos mesmos lugares de onde você os deixou. Então, te questiona garota, por que te sentes tão deslocada?

-
Sentou-se.
Na rua, na praça, na mesmice de ideais vestidos de couro.... São carcaças que se julgam minoria.
Começas a entender que são minoria porque não mudaram nada. "São estátuas que se movem", pensas.
-

- Não pode ser só isso, eu sentia falta daqui. Parecia tão real essa saudade...
É o que resmungas fumando um dos teus vinte melhores amigos e... Espera garota. Você reconhece aquela face que não te abraça! E você mal conhece aquela que te aperta os ombros como se fosse ontem anunciado o fim dos tempos!

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Espera, lê o mundo com calma que tem algo desentoando do contexto. Caminha devagar entre os corpos...
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Por fim, constatasse o que não querias admitir. Com certeza existe alguma coisa nessa água que queima na garganta que não reflete mais o teu rosto.

[Calma, circula calma.]

Você sabe que a inspiração voltou. Mas não... Não deveria ser só isso. Não queres só escrever. Não te sentes viva.

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Hoje me tornei personagem atuando fielmente detalhe a detalhe do que algum dia fui. E entendi tudo.
É, sou eu, a garota. E esse "tudo" é só meu.

O que posso dizer é que voltei para casa, mesmo vindo do lugar que algum dia chamei de lar.

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De repente lembro do que alguém disse atravessando a rua, alguém que já desfrutou de mais momentos comigo que qualquer namorada, que qualquer amigo... Essa pessoa que cuidava de mim a sua maneira falou:
- Gostei do cabelo.

Essa pessoa continuou o seu caminho.

Não sei se foi porque o meu caminho não segue mais o dela, ou pelo simples fato dela não ter vontade de cruzar alguns toques de carinhos comigo mas...

Me veio uma imensa vontade de raspar tudo.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Parte 4.

O Flash da tua câmera iluminou o quarto por três segundos. E eu consegui ver as tuas cores refletidas no espelho... Entre elas surge teu rosto que não encaro nos olhos, a tua boca que beijo mas não sei desenhar, o teu corpo que amo mas ainda não entendo como se move... Tudo iluminou-se por três segundos. Mas eternizou-se por uma vida. 

Pedirei para que esqueças que por tanto tempo fui tua casa distante, e que me tomes como um gole de vinho nas noites solitárias.

Contarei quantos passos demos até esse abraço, somaremos lágrimas e suor... Até que o espelho seja iluminado pela luz do dia.

Minhas mãos estarão tremendo, meu corpo febril te segurará pelas costas dizendo que te ama. Minha boca te agradecerá por perder o medo de esclarecer o mundo só naqueles três segundos da fotografia tirada, ela dirá "para sempre". E eu te pedirei para casar-se comigo.  

Aí você perguntará: - Quem você é?

E eu responderei que a pergunta correta sempre será: - Quem eu era antes de ti.

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Texto rouco.

Ah, ela chegará sim. Recitando meus poemas favoritos, e como esse texto, vou amar ser clichê. 
Chegará pela manhã, e a tarde surgirá sem percebermos.
Estaremos esperando a noite num ato inconsciente de dormirmos juntas para acordarmos pro sonho de mais um dia de deslumbramento...

Ah, quando a noite chegar ela continuará dissertando sobre sua vida, e eu tocarei seu rosto de olhos fechados para sentir sua voz ecoando pela cidade. É só o que ouvirei: sua voz, sua respiração e seus passos. Não lembrarei do meu nome, esquecerei dos rostos familiares e poderá chover sobre meus ombros, que nada, nada num mundo em que aquele rosto estiver ao alcance do meu corpo, vai desviar meu olhar dele.

Ela chegará sim. Chegará para dizer que muitas outras chegaram desse jeito em minha vida, que não há motivo para o avermelhamento do meu rosto. Dirá que não tem nada de extraordinário, que sua volta será normal. Mas estarei em chamas, estarei vivendo o fim de uma guerra. Direi a ela que espere alguns meses, que estou fazendo as pazes e entendendo o meu medo de perdê-la, que estou confiando em cada traço do rosto dela quando diz que me ama.

Ela vai entender.

Enquanto isso eu continuo no sofá, junto ao telefone, como todos os dias. É como uma promessa transcrita sobre minha retina que fecho enquanto grito: ela virá.

Mas por hoje, realmente será o fim. A última batalha do dia.

Hoje durmo sem querer acordar.

sábado, fevereiro 04, 2012

96 folhas formato 140mm x 202mm





Não, hoje não existe qualquer expressão subjetiva minha que não esteja ligada a um laço que se amarra em você.
Não, não é possível que o tempo seja eternamente só sol ou chuva como agora é. Ele vai aprender a ser tempo e me dar idade quando eu tiver um passado com você. Passado com você pelo sol ou pela chuva...

Sim, existe a orfandade explícita em tudo o que transborda em letras minhas... 


Mas eu também sonho enquanto durmo. 

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Vejo a menina sentada no fim do corredor. Ela finge dormir mas seus olhos às vezes abrem. Parece que está num misto de realidade interna e externa abrindo e fechando os olhos. Várias pessoas a vêem, mas ela só enxerga dentro de si, ou o seu reflexo externo.

De olhos fechados a menina aperta os lábios como quem cessa um beijo, depois afoga os dedos nas mãos, faz as coxas tremerem e assim se torna um corpo em total desespero... Abre os olhos para relaxar esse corpo que se debate, e fazendo cara de quem se conhece olha nos olhos da pessoa que passa como se importasse muito a cor deles, mas eu sei menina, que você só procura pelo seu reflexo.

Vejo a menina sentada no fim do corredor e agora me parece tão triste... Como um oceano de areias vazias de vida, ou uma flor que nasceu numa caverna escura... Ela passa as mãos pelos seus cabelos e depois aperta-se com um abraço forte, assim, de repente, seu corpo fica dócil.

Então ela me olhou, como antes me viu de olhos fechados, agora finalmente abertos para alguém acessar aquela dor. Dessa vez não me tomou como reflexo de si, me deixou chegar perto e humildemente pediu ajuda... Mas os homens levaram o espelho do fim do corredor cedo demais, e eu a perdi.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Desconfio dessa luz que reflete a cor pros meus olhos, essa claridade que vem na brisa fria do dia anoitecendo, esse gosto azedo na voz que me diz bom dia... Cego-me para tudo que não vem de dentro, procurando te encontrar entre meus pulmões... De olhos fechados, respiro teu nome.

A presença de qualquer outra pessoa significa sua ausência, e por não suportar, afogo-me na saliva que prende minhas palavras retorcidas pela falta de foco.

Procuro sentir meu corpo imerso como se fizesse diferença água ou ar tocando minha pele, se o que sinto é só meu coração bombeando o sangue que arde lembrando dos pequenos resquícios do teu cheiro pela casa.