sexta-feira, fevereiro 17, 2012
Parte 4.
quinta-feira, fevereiro 16, 2012
Texto rouco.
sábado, fevereiro 04, 2012
96 folhas formato 140mm x 202mm
sexta-feira, janeiro 13, 2012
Vejo a menina sentada no fim do corredor. Ela finge dormir mas seus olhos às vezes abrem. Parece que está num misto de realidade interna e externa abrindo e fechando os olhos. Várias pessoas a vêem, mas ela só enxerga dentro de si, ou o seu reflexo externo.
De olhos fechados a menina aperta os lábios como quem cessa um beijo, depois afoga os dedos nas mãos, faz as coxas tremerem e assim se torna um corpo em total desespero... Abre os olhos para relaxar esse corpo que se debate, e fazendo cara de quem se conhece olha nos olhos da pessoa que passa como se importasse muito a cor deles, mas eu sei menina, que você só procura pelo seu reflexo.
Vejo a menina sentada no fim do corredor e agora me parece tão triste... Como um oceano de areias vazias de vida, ou uma flor que nasceu numa caverna escura...
Ela passa as mãos pelos seus cabelos e depois aperta-se com um abraço forte, assim, de repente, seu corpo fica dócil.
Então ela me olhou, como antes me viu de olhos fechados, agora finalmente abertos para alguém acessar aquela dor. Dessa vez não me tomou como reflexo de si, me deixou chegar perto e humildemente pediu ajuda... Mas os homens levaram o espelho do fim do corredor cedo demais, e eu a perdi.
quarta-feira, janeiro 11, 2012
sexta-feira, dezembro 16, 2011
É de se entregar, o viver.
Não quero que você sinta a cada novo encontro que precisa concertar meus olhos para manterem o foco nos teus. Não quero te ver perseguindo meus passos se eles não seguem em ritmos iguais aos de mais ninguém, que não os dela.
Não precisa me chamar porque sei exatamente como vai soar meu nome saindo da tua boca. Não existe mistério que me faça questionar como será uma manhã contigo. Não há vontade que me faça mover meu mundo em direção ao teu nem de mais ninguém, que não o dela.
Nunca soube tanto sobre mim a ponto de ter certeza que serei o descompasso da vida de toda e qualquer pessoa, que não for ela...
Então boa viagem a quem segue, porque eu parei. Não existe fala ou toque que me empurrem às linhas de retrocesso que existem nos corpos que já tive como caminho, porque não são as linhas do corpo dela, e nunca serão.
quarta-feira, novembro 30, 2011
Então se perguntou se isso não a lembrava nada, esse silêncio de solidão num quarto desarrumado... Respondeu como faz normalmente às suas vozes internas, fechando os olhos antes que caísse na tentação de refletir sobre o que vê e entender que existem coisas que são normais só pra ela.
Fez de conta que não entendeu o que significavam aquelas palavras pelo chão e logo viraram só os livros que esqueceu de guardar. Arrumou a cama tapando os ouvidos para não escutar o perdão dos lençóis...
Essas coisas que ela faz normalmente sem soltar os seus gritos internos, levaram-na para longe de escapar do mundo que criou:
"O mundo constrói todos os dias uma estrada onde o caminho é muito curto para se chegar a qualquer lugar, onde não existem curvas nem dúvidas e eu ficaria sempre perto do que quero deixar para trás."
Assim essa garota, sem saber estar inválida, acaba a oração encostando a cabeça sobre sua vida, vendo ela passar...
