sábado, março 26, 2011

Se acaso você chegasse...

Tranquei a porta mas deixei um aviso nela, se acaso você chegasse.

Quero te mostrar onde me publico, e até colei letras minhas por toda parte da casa pro caso dos teus olhos se desprenderem dos meus...

Letras que dizem de onde venho, nada sobre onde estou indo porque lá não tem você.

Por isso a única novidade é minha vontade de ver-te tirando dúvidas sobre mim, ficando cada vez mais clara as certezas sobre nós.

O meu mês favorito está chegando, e escrevo também pra te traduzir o sorriso, se acaso você vir com ele.

quarta-feira, março 23, 2011

Salto.

Existem dias que acontecem algumas vezes por ano. Aqueles que ninguém escreve sobre individualmente, que são lidos como uma época que não percebemos nem começar, acabando... Mas tudo tem hora e data, e passei por um desses ontem.

domingo, março 13, 2011

As pessoas na rua.

Entre um passo e outro, existe um murmúrio insistente que mesmo se confundindo com os demais, consigo ouvir separadamente. É na voz rouca que vem minha vontade de chegar mais perto da senhora pensando falar sozinha. Depois, é dentro do choro da criança que busco as palavras que ela ainda não sabe dizer.
Procuro entre risadas alheias razão para rir também. Atrás da chuva nos óculos do garoto, o que o faz tremer se eu não tenho frio. E entre as cortinas de uma vida em família, encontro a fineza do laço cheio de remendos.
No meu silêncio, ando em alguma rua conhecida na esperança de encontrar algo novo, que vem e deixo passar por tentar compreender tudo antes de sentir qualquer coisa.

quinta-feira, março 10, 2011

Era uma vez um final feliz...

Na tua boca, sinto o meio amargo do chocolate. As tuas mãos nas minhas, no meu rosto, entre o doce minuto em que não vemos o tempo passar, me fazem esquecer que o mundo gira, e coloco reticências atrás de nossas vírgulas,...
Era uma vez, digo olhando pros teus olhos fechados, um final feliz que eu não quis ter. Mas juro frente à tua pele que parei de usar o mundo como projeto de ciências, que quero sentir, observar teu olho avermelhando-se junto ao rosto nu... E me detenho num abraço selando nosso trato, é diferente agora, eu já perdi demais para perder você.
Deixo de lado essa tua cara de quem não me entende,e tiro de ti um sorriso que faz tudo claro: Primeiro vamos andando, depois vamos amando,...

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

...

Digo: Te escolto até em casa.

Depois escuto: Até amanhã.

Penso: Não sei o que estou fazendo aqui.

,

Escuto: Bom dia.Vens?

Digo: A que horas preciso ir?

Penso: Não sei o que vou fazer por lá.

,

Escuto: Qual deles?

Digo: Compra o verde.

Escuto: Que bom que você está aqui.

Penso: Silêncio.

,

Digo: Existem mais cores...

Escuto: Silêncio.

Penso: Não vou dizer até amanhã.

,

Digo: Não sei o que estou fazendo aqui.

Escuto: A que horas preciso ir?

Penso: Te escolto até em casa.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Já chegou o maestro...

Tentando reger o coro, mas parou o seu trabalho gestual e começou a conversar compulsivamente...

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Displicência...

Entre um dia e outro, você surge nas noites de insônia, fazendo-se presente em tudo o que não me deixa relaxar.
Entre um soco e outro, o corpo só dói depois que silencias o quarto. Mas tua casa não vai me reter por muito tempo, um gigante está crescendo.
Acredito que até tu confias nas mentiras que contas sobre nosso sangue, mas não somos iguais, e o ácido dentro de ti anda corroendo os órgãos.
Nenhuma doença se dissipa quando o organismo a julga parte do corpo, e é tão você toda essa loucura violenta, que agradeço por ser mais um câncer expelindo.
Encontro uma brecha entre uma discussão e outra, para sair disfarçando minhas marcas tuas, deixando intactos meus traumas ateus.
Já vimos essa cena antes, e a cada dia mais a resistência se monta na minha frente, com mil exércitos prontos para um grito que o mundo escutaria.
Eu imagino como é viver sem medo, e por isso não há tranca que me mantenha entre tuas paredes.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Inerte.

Mesmo com tanto calor, ela não conseguiu tirar a roupa.

E por mais que quisesse. nem o maior sono permitiria que fechasse os olhos.

Se pudesse dormir, torceria para não acordar mesmo no seu pior pesadelo.

Mais tarde, o peso que fez os ombros doerem deixou marcas de unha, como se fossem avisos.

O copo quebrado não a fez juntar os cacos, o tecido estampado não a fez rever as cores.

A música não a fez tremer o corpo, o desejo não a fez dar um passo sequer.

O encanto não resgatou o sorriso, o medo não a fez recuar.

As ideias perderam o juízo, a arte estava ausente no mundo.

Nos toques nada se sentia, em fotografias não via a mesma eternidade.

Por isso, guardou sua voz para algo grande, e ainda está alí calada, esperando alguém lhe fazer a pergunta certa.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Vai, vai discursando tua nova vida... Você anda tão perdida... Como quem defende os fracos condenando os fortes à mesma dor... Assim não estamos falando de equilibrio, falta a ti a compreensão de igualdade. E em controvérsia constante, vejo-te deixando-me como espectadora, sem pensar que teu show já passa para uma sala vazia de mim.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

E de ti, o que tens?

- Eu me sentiria melhor na vida se soubesse que você está bem, só.

-Eu me sentiria melhor na vida se você soubesse que isso é egoísmo, daqueles que te fazem perder o foco da escrita, posto que é só isso. É acomodar-se com um mistério. Sempre quero saber o que tens de ti, além do que sentes por hora...

- E de ti, o que tens agora?

- Mais ou menos 12 escolas, 5 grandes escolhas, algumas marcas no corpo, uns dois amores e uns riscos que não corro mais. Tenho uma forte lembrança de quando alguém me pediu para ver cores de olhos que sempre foram negros, e só entender anos mais tarde. Tenho uma mágoa que insiste em me por de pés firmes no chão gelado, e um segredo que levita meu corpo enquanto durmo.

Tenho mais reticências que um texto permite, sou um drama de propósito. Vejo perguntas em pontos finais alheios, encontrando em mim uma falha genética.

Enxergo diariamente meu medo de ter inteligência barata, e não conseguir parar de resolver cálculos matemáticos como prova real inconsciente sobre mim.

Estou armada até os dentes de tudo o que acredito, e atiro.

Especialmente hoje, sinto falta de um lugar verde, de um apartamento e apertar o 10º andar, da voz noturna cheia de histórias, de alguns chapeis e algumas vitórias, também de não dormir sem rimar... E, para a conversa fazer sentido a ti, estou bem sim, mas isso é o que menos importa, tendo em vista o que poderias saber antes de eu te dar boa noite cheia de fragmentos mais exatos.