Saturday, November 28, 2009

Ainda o paradoxo da retórica.

Enquanto todos dormiam ela tentava arrancar os olhos que de tão fracos já eram supérfluos ao rosto. Sua insistente insônia de corpo cansado a faz bailar trôpega pelo quarto, escolhendo os pensamentos que não geram gritos.
São claros os sinais que essas noites proporcionam, e de tão óbvios ninguém os questiona, mas por essa obviedade toda também não são aceitos. A menina cansou desses sucetivos impasses das pessoas normais de não entenderem as coisas mais simples, os desabafos sem fala mais sinceros. Queria ela fazer desse problema uma hisória bem bonita, onde existiria a dúvida da loucura inérte no papel, e por fim, o próprio leitor chegaria a essa conclusão sem expecificações, por meio de frases de impacto. Porém ela entristece só de ter essa ideia, não a da história em si mas de ter que aceitar agora algo mais complexo, aceitar que as pessoas precisam de problemas armados, tentativas de suicídio, dramas noites a dentro para entenderem enfim o que está ali, intacto há anos e sempre tão certo como a fome que virá. Precisaria agora, complicar tudo para descomplicar-se, agir como vê que se deve, parar de acreditar nessa besteira toda de silêncio esclarecedor.

Wednesday, November 11, 2009

.exe

Óculos na mesa e sei para onde tuas mãos irão, conheço o trajeto dos teus gestos, da perna trêmula, dos olhos inquietos. (Estes que enquanto olham atentos para o meu constrangimento, riem se fechando). Falas: "Algo te encomoda?" Digo que é só a música da manhã. Aquela que acaba te traduzindo no momento em que me remetem a nostalgia de anos anteriores. É como se tivéssemos passado.
Sei que entenderias melhor se eu tivesse em mãos uma frase de impacto escrita em código binário, (eu também). Mas só consigo pensar que o tempo passou como um assopro de tentativa de assovio meu, e que não me lembro direito dos meus dias sem tua paciência matinal, e os teus desapegos de final de tarde.

Thursday, November 05, 2009

Q R S T U V W X Y Z A B C D E F G H I

Há quanto tempo não nos falávamos? Não parece que foi ontem, nem que já se passou um ano. Mas essa conversa continua sendo só nossa, sempre me remetendo o cheiro da madeira daquela tua escada suicida. Você sabe.
Lembrei assim que você falou de sono, dos esconderijos criativos nas paredes do teu quarto, que me instigavam ao amanhã na tua cidade. Mas quem saberia sobre depois? Quem adivinharia que algum dia eu temeria sentir falta daquilo tudo. Acordando cedo, pulando numa piscina de colírio, encorajando um ao outro a olhar-se no espelho, deixando que as pessoas nos façam um 'nãovocê' assim que chegamos ao trabalho. Nós que sempre pensamos na noite logo pela manhã, parecendo ter dormido tempo o bastante para passar por qualquer coisa. E nunca tínhamos.
Volta a apoiar tua cabeça no meu ombro que na minha nuca ainda consta o que você tatuou, não me arrependo mas deixei crescer o cabelo alí só para esquecer gradativamente. Sei que não é saudável enganar-se, concordo que é uma marca tua, porém menor do que as sensações de ver suas fotos novamente. Só não estás idêntico a quando te conheci porque eu mudei, te interpreto diferente.
Mesmo sentindo falta daquela nossa corrida de matar dias... São só dias mortos.